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O PACOTE DE MENTIRAS E ATAQUES DE YEDA
Apesar de não ter apresentado ainda a versão escrita
e final de seu projeto, já é possível identificar as novas mentiras e
ataques incluídos no pacote do governo Yeda para o funcionalismo.
Evidentemente, ainda se trata de uma análise inicial baseada nas poucas
informações disponíveis na imprensa. De qualquer forma, é muito importante
que em todas as escolas façamos desde já este debate para organizar uma
reação imediata e a altura das ameaças que pairam sobre nossa categoria.
Para
conseguir que a Assembleia Legislativa aprove as mudanças em nosso plano
de carreira, o governo decidiu fazer uma campanha mentirosa de que está
valorizando o funcionalismo e aumentando os salários. Vejamos abaixo
algumas dessas mentiras.
MENTIRA nº1: “Aumento salarial de 57,9%”
Esta é a mais deslavada e ardilosa mentira do
governo. Não há até agora nenhum projeto de reajuste salarial para a
categoria. Na verdade, há três anos o governo Yeda mantém os salários
congelados, sem repor a inflação e as perdas. O que o novo pacote
apresenta é uma elevação do completivo para aqueles que, somando todos os
vencimentos e gratificações, ainda assim ganhem menos do que R$ 750,00
(regime de 20 h). Não há nenhum índice de reajuste proposto aos
educadores. A imensa maioria da categoria (85% dos educadores), que está
nos níveis 5 e 6 da carreira, não deverá ganhar nenhum centavo de aumento
mais uma vez!
Também é muito importante salientar que o completivo
não incorpora ao salário e será descontado em todos os futuros reajustes
salariais da categoria. Portanto, os poucos que viessem a recebê-lo agora
com o mentiroso “pacote de bondades”, teriam ainda os seus salários
congelados por longos anos.
Além disso, os funcionários de escola, que sequer
receberam a Lei Britto, também são excluídos e discriminados mais uma vez
pelo governo Yeda.
MENTIRA nº2:
“Os direitos adquiridos serão garantidos”
No site do governo, Yeda anuncia que a adesão ao
plano não é compulsória nem elimina direitos da categoria. Mais outra
enganação! Com a criação de um novo plano de carreira para os futuros
concursados, o governo retira de fato direitos que hoje pertencem ao
conjunto dos educadores. Este é o maior ataque do governo: quer acabar com
o atual plano de carreira dos educadores. Pretende colocá-lo em extinção e
retirar do novo plano conquistas importantíssimas como promoções, triênios
e os avanços entre os níveis. Dessa forma, o governo reduziria a massa
salarial destinada à educação, economizando às custas do empobrecimento
ainda maior dos educadores.
Por outro lado, a divisão da categoria e o fim da
igualdade de direitos poderão significar também o congelamento de salários
dos que não aderirem ao novo plano de carreira. Ou seja, todos sairão
perdendo com o fim do atual plano de carreira.
MENTIRA nº3: “Piso salarial passa para R$
1.500,00”
Quase todos os jornais ajudaram o governo a divulgar
outra gigantesca mentira, a de que o salário inicial no magistério será de
R$ 1,5 mil (ver capa de ZH do dia 06 de novembro). Ora, qualquer pessoa
que não use de má fé sabe muito bem que “piso salarial” ou “salário
inicial” referem-se ao vencimento básico de início da carreira de um
trabalhador. E que sobre este valor incidirão os avanços e gratificações
ao longo dos anos de sua carreira. Todo mundo compreende perfeitamente
isto!
Já o governo Yeda, para manter a miséria dos
trabalhadores em educação e honrar seus compromissos com o Banco Mundial,
quer inventar outro conceito de piso. Quer somar todas as verbas recebidas
pelo trabalhador e dizer que este é o piso (ver mentira nº1). Confunde
propositalmente piso com teto, tentando passar uma ideia absolutamente
mentirosa para a população sobre os salários na educação do RS.
Cabe aqui uma pergunta esclarecedora: se o piso
salarial será de R$ 1,5 mil, porque o governo não retira a Ação de
Inconstitucionalidade que ingressou no Supremo Tribunal Federal?
MENTIRA nº4: “Servidores irão receber 14º
salário”
Com a economia prevista com o fim dos triênios e das
promoções por tempo de serviço no novo plano de carreira, o governo quer
instituir uma premiação por suposto mérito no desempenho funcional. Yeda
anuncia com alarde essa premiação como um 14º salário, enquanto esconde as
conquistas que quer retirar do conjunto da categoria. A verdade, no
entanto, é outra! O próprio Secretário da Fazenda se encarrega de
esclarecer: “Se o Estado não estiver equilibrado, não tem prêmio.”
Portanto, o chamado 14º salário não passa de um ridículo abono com
critérios incertos e suspeitos. Mais uma jogada mentirosa do governo!
Provavelmente, seguindo a lógica neoliberal do PDE
do governo Lula, o governo do estado utilizará essa premiação para
instituir a meritocracia e acabar com a gestão democrática e a autonomia
pedagógica das escolas. Buscará substituir a solidariedade existente entre
os educadores por uma competição individualista a serviço do mercado
capitalista.
MENTIRA nº5: “Plano valoriza o serviço público e
moderniza a gestão pública”
Bem, esta é a mais difícil de ser engolida! O
governo Yeda é um dos mais corruptos da história do RS. Uma verdadeira
“quadrilha criminosa” comanda o Palácio Piratini. Durante todos esses
anos, os serviços públicos no RS foram dilapidados por este governo e
nenhum centavo roubado foi até agora devolvido aos cofres públicos! Nenhum
corrupto está preso! Uma relação de compadrio entre o governo, a
Assembleia Legislativa e o Judiciário demonstra a cada dia a podridão das
instituições no Estado.
Enquanto isso, os filhos dos trabalhadores encontram
as escolas públicas abandonadas à própria sorte. As filas nos hospitais
demonstram o total descaso com a saúde pública. E por aí vai...
Querer afirmar, como fazem os principais jornais do
Estado, que Yeda está valorizando o serviço público e os servidores não
passa de mentira e brincadeira de mau gosto!
CHEGA DE ATAQUES AOS NOSSOS DIREITOS!
É HORA DE CONSTRUIR A GREVE “EM REGIME DE URGÊNCIA”
Este
pacote está para ser apresentado à Assembleia Legislativa durante esta
semana. Sabemos que se depender apenas da vontade desses deputados, nossa
categoria poderá perder o plano de carreira definitivamente. Portanto, é
hora de irmos à luta! Precisamos construir uma grande Assembleia Geral no
próximo dia 20 de novembro. Vamos lotar o Gigantinho e dar a resposta que
este governo merece!
Regis Ethur e
Orlando Marcelino da Silva Filho
Membros da Direção Estadual do CPERS Sindicato
PENSAMOS, LOGO EXISTIMOS!
Escrever o primeiro editorial de “A Trincheira”
revelou-se uma tarefa bastante complicada. Condensar em um único texto uma
pequena apresentação do grupo de realizadores, o perfil aproximado do site,
seus objetivos, enfim, justificar a existência deste novo veículo exige um
grande esforço. Por isso, ao contrário do que recomenda a boa técnica de
redação, este texto partiu do título. Dizem que se quisermos ter um grande
alcance, devemos montar nos ombros de gigantes. Então, nos valemos da
máxima filosófica de René Descartes para tentar explicar porque existe A
Trincheira.
A Trincheira está no ar graças a um grupo de
historiadores residentes na cidade de Alvorada, região metropolitana de
Porto Alegre. Somos professores de História da rede pública e particular,
pesquisadores preocupados com questões que envolvem desde os nossos
vizinhos de bairro, até a última criança a ficar órfã no Oriente Médio.
A História e o processo
histórico são os nossos temas. Por isso, artigos a respeito dos assuntos
mais variados como política e geopolítica, sociologia, educação, economia,
cultura e outros povoarão “A Trincheira” com informação e opinião firme de
profissionais que percebem o mundo como uma construção histórica,
portanto, engenho da própria humanidade. Todavia, nossa aldeia também
precisa e merece atenção especial. Assim, Alvorada é e será tema corrente
em nossos textos e de convidados.
Nos reconhecemos como seres críticos, desconformes com
a “ordem natural das coisas” e desejosos de encontrar canais que
transportem a nossa opinião e incitem ao debate, ou mesmo à reflexão. A
busca pela verdadeira liberdade de expressão, desvencilhada de interesses
econômicos (não somos patrocinados por sindicatos ou companhias de
telefonia), nos trouxe à rede mundial de computadores. Aparentemente, aqui
não nos são impostos limites.
A isenção não nos interessa. A Trincheira deverá servir
para que possamos marcar posição e não o contrário. A imparcialidade é uma
preocupação hipócrita e demagógica dos grandes veículos de comunicação,
que pretendem estar acima de todas as coisas, “flutuando” sobre as
injustiças enquanto ganham mercado.
Em síntese, o ato de pensar aliado ao desejo de
demonstrar e debater esse pensamento nos incitou a apresentar este site.
Esperamos que esta trincheira se transforme em um belo campo de batalha,
local apropriado tanto para defendermos nossas idéias quanto para atacar o
que consideramos injustiças inadmissíveis.
Enfim, talvez possamos
dizer que pensamos, logo A Trincheira existe!
Redação de A Trincheira
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