Avaliações Externas para quê?

Marisa Antunes Laureano*

As avaliações externas são ações educacionais muito em voga nos países adeptos da política neoliberal para a educação. Tais instrumentos englobam uma série de práticas e sistemas de provas com dados transformados em índices de aproveitamento de escolas, municípios e estados das federações. Estes resultados visam, segundo os defensores das avaliações, a um diagnóstico necessário para saber onde o governo deve intervir para melhorar os sistemas de ensino. O resultado de algumas avaliações é convertido em IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica.

O IDEB é calculado a partir de dois eixos educacionais: o índice de reprovação dos alunos – avaliado pelo educacenso – e o desempenho dos estudantes – avaliado pelas provas externas. O objetivo definido pelo Ministério da Educação para criar tais sistemas é garantir uma boa educação para todos. Pois dizem que os índices de aproveitamento dos alunos vão ser usados para definir metas e ações para sanar as dificuldades das escolas que apresentam índices abaixo da média.

As avaliações externas, entretanto, estão dentro de uma lógica de mercado voltada para a educação que vem atingindo vários países nos últimos anos, e estão tornando-se políticas públicas de educação. Devemos levar em consideração o quanto o privado está interferindo no público quando estas avaliações estão sendo elaboradas, pois sabemos do caráter privatista que originou tais medidas nos demais países, visto que na maioria das vezes as avaliações são organizadas por empresas que lucram com a educação.

Os objetivos determinados para que hajam avaliações externas são defendidos com discursos que à primeira vista parecem enobrecedores, mas a realidade dos profissionais da educação, que atuam diretamente dentro das escolas, não reforça tais discursos. Precisamos refletir muito, principalmente quanto ao conceito AVALIAÇÃO. Há muito que os especialistas discutem as formas avaliativas das escolas públicas e recheiam livros com teses e idéias sobre como devemos tratar a avaliação. Mas em nenhum momento, uma única prova de caráter específico (Matemática e Língua Portuguesa), foi referida como um bom exemplo de avaliação.

É importante que os profissionais da educação atentem para suas práticas a partir dos dados obtidos pelas avaliações externas, pois elas, por mais que digam que são válidas, nunca terão o caráter globalizante de um processo avaliativo que respeite o educando.

Nos países mais adiantados quanto ao uso de avaliações externas, algumas escolas chegaram a criar turmas de excelência que elevariam o índice de desempenho. Nestas escolas, as demais turmas são excluídas e pouca atenção recebem no processo integral de ensino. Precisamos ter nestes exemplos um alerta para não errarmos ainda mais quando se tratar de Educação Institucional.

Um fator importante para debate é a constante referência dada à Matemática e a Língua Portuguesa enquanto carros chefes para as avaliações externas. Em um mundo cada vez mais necessitado de pessoas criativas e imaginativas não teríamos que dar destaque também a áreas do conhecimento que visam criar futuros homens e mulheres com múltiplas habilidades, como as artes, por exemplo? Faltam argumentos convincentes para que a Prova Brasil avalie somente estas duas áreas do conhecimento. Avaliar os alunos apenas quanto aos componentes da Matemática e da Língua Portuguesa não globaliza os dados e não dá a realidade completa dos potenciais do educando.

Entretanto, podemos perceber que esta lógica vem acompanhar as metas neoliberais que privilegiam um pensamento tecnicista para a educação e, portanto, estabelecem metas para o desenvolvimento da Matemática e da língua escrita de determinado país.

Erroneamente algumas escolas, pretendendo sair-se bem em tais avaliações, estão mudando seus currículos e dando ênfase ao estudo da Matemática e da Língua Portuguesa. Aonde iremos chegar enquanto educadores, se tais práticas continuarem? Todas as áreas do conhecimento são relevantes para a formação de uma pessoa e não podemos criar escalas de valores para esta ou aquela disciplina.

É necessário fazermos uma reflexão sobre este tema que é amplo e terá muitos resultados ainda a serem observados. Estamos apenas iniciando este processo de avaliações externas. Portanto, devemos estar atentos enquanto educadores para o que virá e será feito como Política Pública para a Educação.

10/06/2009

* Professora de História, Mestre em História e Especialista em Ensino de História da África

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