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Tal como o Muro de
Berlim, o Neoliberalismo desabou!
Fábio Azambuja Marçal*
Final da década de
oitenta: cai o Muro de Berlim. Com ele desaba toda uma simbologia que
representava o Leste da Europa e o Socialismo Real. Acabava uma era.
Iniciava-se outra. O socialismo sucumbiu, o capitalismo venceu, diziam as
vozes eufóricas que defendiam a sociedade de mercado.
Nesse
contexto, ganharam terreno as idéias neoliberais que se apresentavam como
o novo. Um novo capitalismo. Como se esse fosse um sistema inerente a
natureza humana. Um modelo de sociedade que representava o ápice, o máximo
e o definitivo da evolução histórica. Era o fim da história, diziam
alguns.
Um dos
fundamentos das ideias neoliberais diz respeito à reorientação da função
do Estado. Observando os Estados, pretensamente socialistas, do Leste da
Europa, os neoliberais diziam que ele era o principal obstáculo para a
evolução humana. Nessas experiências, o Estado seria um inibidor das
iniciativas individuais. Uma estrutura que impedia o crescimento
individual. Ainda, um “parasita” que sugava o trabalho dos que estavam sob
seu controle. Deveríamos aprender com a derrota do Leste, precisávamos
redefinir a função do Estado, mesmo dentro do capitalismo.
A força das
instituições públicas foi questionada. Serviço público, na passagem do
século XX para o XXI, era sinônimo de ineficiência, de burocracia e
atraso. Ao funcionário público, depois de ser chamado de marajá em
campanha presidencial, cabia os adjetivos de preguiçoso, privilegiado e
alguém que não trabalha.
Era a
ideologia neoliberal, que na essência pregava o enxugamento da estrutura
pública, preparando as privatizações que logo aconteceriam. O “Deus
Mercado” regularia as relações sociais, Os “aptos” venceriam, os “inaptos”
se adaptariam. Era o curso “natural” de uma sociedade evoluída.
Passados
alguns anos, são evidentes as desordens em meio à ordem neoliberal. Uma
exclusão social gritante mancha o ideário que desenhava o século XXI como
o máximo da evolução humana. Crises sucessivas, desemprego em massa (o
maior na história da Europa). Serviços públicos caros e de péssima
qualidade, indicam as monstruosidades do “Deus Mercado”. Necessidades
básicas, como saúde, educação e segurança não são atendidas pelo serviço
público. Quer um desses, qualificado? Pague!
Exemplos
próximos e recentes devem nos fazer questionar a concepção de Estado
Mínimo. A falência da ULBRA mostra que saúde e educação não podem ser
entendidas como mercadoria. Não devem ficar na mão de empresas. Essas, que
buscam somente o lucro, em alguns momentos falem. Ironicamente, os mesmos
que endeusavam a ULBRA, hoje suplicam socorro ao Estado (somo se ele fosse
o responsável pela sua quebradeira). Aliás, nada original nessa súplica,
pois no mundo todas as grandes empresas estão de joelhos pedindo socorro
ao Estado. O pior é que muitos governos estão lhes socorrendo, quando o
correto seria encaminhar a estatização. Estado Mínimo para a maioria, e
Máximo para a minoria, esse é o paraíso neoliberal.
A política
neoliberal sucumbiu como o muro de Berlim. O pior é que sob essa
orientação, no RS, as ações políticas são encaminhadas pela nossa
Governadora. Sob o lema do Estado Mínimo, cortam-se verbas da educação,
por exemplo. Quer se mexer no plano de carreira dos funcionários públicos.
Quer se privatizar presídios, e vender (e vende-se) ações do nosso
Banrisul.
A
quebra da ULBRA, a Crise mundial e outros indícios deveriam servir de
alerta ao grupo político que está no Piratini. Não serve, porque eles se
servem dessa conjuntura. Até quando?
15/05/2009
* Professor e Mestre em História,
Especialista em Movimento Estudantil e Ditadura
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