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ONDE ESTÃO AS SALAS DE
AULA?
Fabiano Vaz*
A secretária estadual de educação, Mariza
Abreu, tem recorrido a exemplos extremos para justificar medidas
administrativas radicais, impopulares, e de resultados duvidosos, como o
fechamento de turmas ou escolas inteiras. Sob alegação de que há salas de
aula com menos de dez alunos, tornou prática generalizada a ocupação plena
dos espaços, com tantos alunos quanto possível.
Negando que o processo resulte em
superlotação das salas de aula, a secretária apresenta uma espécie de
tabela com o número máximo de estudantes, conforme a etapa escolar.
Segundo este critério, o 1º ano do ensino fundamental pode acolher até
vinte e cinco crianças; a 2ª, 3ª e 4ª séries comportam até trinta alunos;
da 5ª à 8ª série, máximo de trinta e cinco adolescentes. Não são números
aleatórios, e sim conclusão dos especialistas em educação do próprio
governo do Estado. Ao ultrapassar estes limites, começam a surgir
prejuízos pedagógicos, dificuldades no planejamento e execução das aulas,
espaço físico reduzido e indigno à pessoa, os problemas disciplinares se
potencializam.
Mas esqueçamos todos esses números e
tabelas: nós, alvoradenses, nada temos com eles. Não valem por aqui.
Nossas turmas de primeiros anos têm ultrapassado os trinta alunos; da 2ª à
4ª série facilmente chegam a trinta e sete ou mais; de 5ª à 8ª, são comuns
turmas com quarenta alunos. Somos o extremo oposto, aquele que não
interessa à secretária.
Obrigados pela legislação a oferecer vagas
a todas as crianças, e diante de uma crescente procura, os poderes
públicos têm simplificado: repassam o problema para as escolas. Cabe,
portanto, ao professor e à professora, os elos mais fracos da corrente, o
cumprimento da lei. Como muitos sabem, o trabalhador em educação é vítima
de uma série de males inerentes à profissão, como problemas de coluna,
transtornos na voz, tendinite, depressão, estresse, medo, pelo aumento da
violência nas escolas. Atua sob tensão permanente, ciente da sua enorme
responsabilidade. Pois, não bastasse isso, é ele o encarregado de
esconder, jogar para debaixo do tapete o problema que demonstra e de certa
forma explica o enorme atraso da nossa cidade: faltam salas de aula em
Alvorada!
As salas construídas pela rede municipal
se mostraram insuficientes e a rede estadual sequer dá conta de reformar
sua velha e decadente estrutura. Durante décadas assistimos ao crescimento
populacional em Alvorada e, nem estado nem município se prepararam para
atender uma população de duzentos mil habitantes. Mas graças aos
professores, que recebem calados mais esta enorme carga, as autoridades
não precisam dar entrevistas explicando crianças sem escolas, ou salas
abarrotadas. Sobre nossas costas largas, somamos isso à responsabilidade
pela qualidade no ensino, reprovação, evasão...
Mas até quando?
17/04/2008
* Professor da Rede Pública e Especialista
em História Contemporânea
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