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Um ano para não deixar saudade
Fabiano Vaz*
Definitivamente,
2008 não foi um ano animador do ponto de vista da política e dos
movimentos sociais no Rio Grande do
Sul. Não há avanços a comemorar, ao contrário, retrocedemos em vários
aspectos. Vivemos sob um governo em que pairam dúvidas severas, a partir
de denúncias vindas por vezes dos próprios aliados, um governo nada afeito
ao diálogo e profundamente anti-democrático.
A corrupção se mostrou entranhada bem
próxima ao centro do poder e, com a complacência dos meios de comunicação,
o governo se safou de saias justíssimas afastando um secretário aqui,
outro ali. Assim foram os casos do DETRAN, Casa Civil, Secretaria da
Cultura. Como demonstração de boa intenção, foi criada uma Secretaria de
Transparência. A secretária Mercedes Rodrigues, ao perceber que a
secretaria era apenas uma “jogada para a platéia”, pediu dispensa após
poucos meses. Para fechar o ano, surge a gravação de uma conversa entre o
Coronel Mendes e um ilustre investigado por suspeita de corrupção em
Canoas. Na ligação, o Coronel pede ajuda a Francisco Fraga para que fosse
escolhido Comandante da Brigada Militar, posto que ocupou até dias atrás.
Na função, o chefe da Brigada foi um
verdadeiro cão de guarda do governo, demonstrando espantosa truculência
contra manifestações populares de todos os movimentos sociais, em especial
os trabalhadores sem terra, mas sobraram cacetadas até para os
professores.
Os professores, aliás, seguiram a rotina
de maus tratos sofridos nos últimos anos, e encerram 2008 na expectativa
de que o pior ainda está por vir. As falas oficiais do governo,
principalmente da secretária Mariza Abreu, foram invariavelmente no
sentido de desqualificar, depreciar o magistério, colocando toda a
categoria na defensiva enquanto prepara um pacote que, além de não
resolver os problemas da educação (vide Minas Gerais e São Paulo), tornará
a profissão de professor ainda menos atraente do que é hoje. A greve de
final de ano foi o último recurso para que a voz do professorado se
fizesse ouvir pela sociedade, já que o diálogo com o governo não existe.
Enfim, ao menos para a
temática que me coube rever, 2008 não deve deixar saudade, como 2007 não
deixou, e temo que 2009 também não deixará! Espero que meus colegas
entrincheirados tenham tido mais sorte. De qualquer forma, ficam os
sinceros votos de Boas Festas a todos os leitores!
29/01/2009
* Professor da Rede Pública e Especialista
em História Contemporânea
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