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MACAQUITOS
Fabiano Vaz*
Antes de mais nada devo dizer que escreve
aqui um gremista, apaixonado como o gremista costuma ser. Escrevo antes,
mas agora que você está lendo este texto já sabemos o desfecho de mais um
confronto futebolístico na mais importante competição latina: o Grêmio
cometeu mais um feito “inacreditável”, com direito a DVD, ou fracassou
brancaleonicamente. Nenhum dos dois desfechos é inédito e ninguém está
surpreso, portanto.
Surpresos devemos ficar, sim, com a forma
como foi abordada na última semana, por boa parte da imprensa esportiva
gaúcha, a notícia sobre a acusação de racismo por parte do gremista Maxi
Lopez, feita pelo jogador Elicarlos, do Cruzeiro. Este afirma ter sido
chamado de “macaco” pelo argentino no primeiro jogo, em Belo Horizonte.
Independente de qualquer coisa, seja uma farsa ou uma estratégia para
desviar o foco do confronto, como alega a direção do Grêmio, é preciso
admitir que pode sim ter havido ali um caso típico de racismo.
Há, felizmente, leis para isso e deve-se
apurar o ocorrido com a seriedade que o fato exige. Incomoda, no entanto,
ler e ouvir alguns dos nossos cronistas falarem sobre o assunto com a
mesma parcialidade com que tratam o dia-a-dia do futebol, corroborando com
interpretações absurdas de dirigentes fanáticos, minimizando o assunto ou
pondo panos quentes com o surrado argumento de que “dentro das quatro
linhas valem outras regras, outro vocabulário”. A cultura do futebol,
sabemos, não é exatamente a mesma dos ciclos literários, e o meio
futebolístico, inclusive a imprensa esportiva, carrega ainda muitos traços
de bairrismo, machismo e conservadorismo.
Mas não podemos esquecer que cultura é
diferente de natureza, a cultura é construída e pode mudar, como mudou
várias vezes em relação ao próprio futebol, que um dia não permitiu
participação de negros ou mulheres. Se quisermos um mundo mais tolerante e
igualitário não podemos dar guarida para atitudes de intolerância e
discriminatórias.
O combate ao racismo
precisa penetrar de uma vez por todas no “mundo” do futebol e irradiar, de
dentro das “quatro linhas”, passando pelas arquibancadas até as ruas. Nós,
gremistas, temos esse compromisso fortalecido na medida em que são negros
dois dos nossos maiores símbolos: Lupicínio Rodrigues, autor do mais belo
hino do futebol brasileiro; e Everaldo, a estrela solitária da nossa
bandeira.
CONAE – Alvorada
Alvorada realizou nos dias 25 e 26 de
junho a etapa municipal da Conferência Nacional de Educação (CONAE), onde
está se discutindo os rumos da educação no país para os próximos dez anos.
Parabéns à Secretaria Municipal de Educação por cumprir o seu papel,
organizando um evento aberto e plural, diferente do governo do Estado,
onde a SEC faz questão de ignorar que haja uma CONAE em andamento.
20/07/2009
* Professor da Rede Pública e Especialista
em História Contemporânea
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