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DESEDUCAÇÃO
Fabiano Vaz*
Pesquisa recente apontou que 96% dos
empresários rejeitam as escolas públicas para seus filhos. Resta saber o
que leva os 4% restantes a aceitá-las, já que, no Rio Grande do Sul, o
próprio governo demonstra rejeição ao ensino público, tendo em vista o
tratamento insensível que vem lhe dispensando. Não oferece soluções para
os problemas existentes e ainda cria novas dificuldades, reforçando a
imagem desgastada que afugenta não só os empresários.
É inaceitável o processo de desmonte dos
quadros setoriais, como bibliotecas, laboratórios, secretarias e serviço
de supervisão e orientação escolar. Além de comprometer o atendimento,
inviabiliza qualquer projeto, seja pedagógico ou administrativo. Hora do
Conto, aulas de reforço, recreio orientado, são apenas alguns dos projetos
sepultados por falta de pessoal. Fatalmente essa realidade irá se refletir
negativamente nas futuras avaliações nacionais, onde costumávamos nos
destacar.
Nas últimas décadas acompanhamos o debate
entre diferentes propostas pedagógicas. Tecnicismo, construtivismo,
aprendizagem social, entre outras. Os governos tinham suas preferências e,
com maior ou menor sutileza, procuravam influenciar o debate.
Infelizmente, parece que hoje a instrução pública gaúcha já não está
atrelada à concepção pedagógica alguma, e sim a vetores econômicos. É o
que se observa a cada determinação da Secretaria da Educação, sempre no
sentido de enxugar, economizar, cortar.
O processo de enturmação, ou seja, a fusão
de turmas com poucos alunos, é mais uma solução que visa tão somente
baratear a educação. O argumento de que as aulas estarão mais qualificadas
com maior número de alunos por sala é constrangedor. Então é bom para o
aprendizado do aluno que ele troque de turma no meio do ano, que se
acomode em um espaço reduzido de uma sala superlotada, que dispute a
atenção da professora com mais cinqüenta colegas? Então o professor
trabalhará melhor se de repente lhe puserem mais vinte e cinco alunos
diante de si, além dos já existentes?
Outro aspecto importante que tem sido
escamoteado pelo governo estadual é que em muitos casos a redução no
número de alunos se deve à evasão escolar, principalmente nas áreas mais
pobres e no período noturno. O que era um problema sério, já que por força
de lei esses adolescentes necessariamente devem estar nos bancos
escolares, o governo vê como solução. Evadiu? Esse também não vem mais?
Ótimo, vamos juntar duas turmas! É como se o evadido tivesse deixado de
existir, e a sua vaga, garantida pela LDB, nunca tivesse existido.
No que diz respeito à educação, a atual
administração estadual desde já entra para a história, não pelo que pode
vir a construir, e sim pelo que já eliminou. Eliminou bibliotecas,
laboratórios, setores pedagógicos, projetos, e até turmas inteiras. Mas o
pior tem sido a eliminação paulatina da saúde, do ânimo e da esperança dos
trabalhadores em educação.
08/08/2007
* Professor da Rede Pública e Especialista
em História Contemporânea
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