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SOCIALISMO?
Denilson Rosa dos Reis*

Desde a chegada de
Hugo Chaves ao governo da Venezuela e, principalmente após o golpe de
direita que sofreu, começou-se a falar em um governo socialista na
Venezuela. Além disso, a própria imprensa iniciou uma onda de reportagens
sobre o socialismo tomando conta da América do Sul com a eleição de
partidos de esquerda, auto-intitulados socialistas, comunistas ou
trabalhistas. Lula no Brasil; Tabaré Vazquez, no Uruguai; Michelle
Bachelet, no Chile; Evo Morales, na Bolívia e até Néstor Kirchner, na
Argentina.
A pergunta é: estes
são governos socialistas?
Em primeiro lugar a
história mostra que não se chega ao socialismo através de um sistema
eleitoral burguês. São coisas contraditórias. Vejamos o caso do Brasil:
Lula e o PT ficaram 20 anos com um discurso de esquerda, propostas
revolucionárias, críticas à burguesia e rompimento com o imperialismo.
Defendiam o socialismo, eram chamados até de “barbudos” pela imprensa numa
alusão a Fidel e a Revolução Cubana. Foi preciso mudar não só o discurso,
mas o programa de governo, aliar-se a setores conservadores e dar
garantias a elite de que nada mudaria radicalmente para, nesta democracia,
chegar ao governo. Digo “ao governo”, pois ninguém pode ser ingênuo de
achar que o poder está nas mãos do PT.
Ainda sobre o Brasil
de Lula, e isto vale para o resto da América do Sul – com exceção de
Chaves – que socialismo é este em que um dos setores que mais lucra é o
capital especulativo, que anda de mãos dadas com os EUA de Bush e faz
discursos moderados sobre a atuação imperialista, isto quando não os apóia
– como no Haiti? Quanto a Venezuela de Chaves, vemos um
anti-norteamericanismo, um anti-Bush. Hugo Chaves não é contra o
imperialismo, tanto que mantém acordos econômicos e estratégicos com o
Canadá e a União Européia. Este “socialismo do século XXI” de Chaves
carece totalmente de uma teoria socialista revolucionária. Não podemos
confundir nacionalismo com socialismo, e isto é o que me parece no caso
venezuelano.
Claramente a América
Latina vive um momento histórico de profunda transformação. O caminho está
aberto para uma possível revolução. Isto pode ser comprovado com a chegada
ao governo destes partidos e lideranças populares e sindicais que hoje
ocupam os cargos de presidente em seus respectivos países. A mobilização
popular está na rua, o que falta é o povo tomar o controle e saber barrar
os conciliadores e moderados que permitem uma aproximação da burguesia aos
projetos populares. Cada um defende seus próprios interesses, é bom não
esquecermos disto.
20/10/2008
* Professor de História, músico e
fanzineiro
Contatos:
denilson@atrincheira.com.br
Ilustração: Jeferson Adriano (MG)
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