Um mundo sem crises é possível?

Denilson Rosa dos Reis*

O ano de 2008 foi marcado por mais uma crise do sistema capitalista. Esta crise iniciada no ano passado permanece muito ativa em nossas vidas, atingindo o mundo todo. Particularmente, nós brasileiros, estamos enfrentando neste início de 2009 o pior momento desta turbulência global.

Estamos assistindo, confesso quase que incrédulo, a cenas horripilantes oriundas da crise financeira mundial. Nós, país da periferia do capitalismo, nos acostumamos – embora isto nos revolte a cada dia – a ver a miséria tomando conta dos grandes centros, com suas favelas e moradores de rua. Mas, o que não estamos acostumados são estas cenas serem transportadas para um país do centro do capitalismo. Mais ainda, elas fazerem parte do cenário do coração do capitalismo: os Estados Unidos da América.

Fiquei bastante perplexo com cenas exibidas recentemente nos telejornais em que centenas (ou seriam milhares) de norte-americanos vivendo sob lonas em praças públicas vítimas da crise. Por outro lado, aqueles que produziram esta crise recebem polpudas ajudas financeiras por parte dos governos com o dinheiro público.

Já está claro que esta não é mais uma crise cíclica do capitalismo e que logo passará para voltar em alguns anos. Ela já toma os contornos da Grande Depressão de 1929.

Fazendo um exercício de reflexão histórica, qual o único país a não ser atingido pela “crise de 29”? Foi a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Tenho sérias restrições ao “modelo stalinista” implantado na ex-URSS. Mas no campo econômico não cabe dúvida que a planificação econômica livrou-a da grande crise.

A planificação da economia é um dos pilares do sistema socialista. O mundo soviético não respeitou outro, a democracia. Aí reside sua derrocada. Mas o fracasso do stalinismo não inviabiliza o sucesso da planificação econômica e, se um mundo sem crises é possível, este só poderá ser o Mundo Socialista.

20/07/2009

* Professor de História, músico e fanzineiro
Contatos: denilson@atrincheira.com.br
Ilustração: Laudo Ferreira Jr (SP)

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