POR QUATRO ANOS

Denilson Rosa dos Reis*

Chama a atenção a quantidade e repetição publicitárias, muito bem produzidas, diga-se de passagem, chamando a população brasileira a votar dia 05 de outubro nas eleições municipais que elegerão os novos prefeitos e vereadores.

A cada pleito que passa vemos mais e mais a população perdendo as esperanças no processo eleitoral. O número de votos nulos, brancos e as abstenções só fazem aumentar. Por um lado, o da minoria destes, o processo eleitoral só atende as elites, assim chamam o voto nulo ou em partidos de extrema esquerda. Por outro, o da maioria, não se acredita mais na classe política, alegando que “político é tudo igual: corrupto; falcatrua; que só pensa nos seus interesses pessoais”.

Neste quadro, as propagandas são a última salvação do TSE para reverter esta descrença.

Embora bem produzidas, as propagandas são uma verdadeira piada. A mais hilária delas coloca o eleitor no lugar de um “patrão” que está para selecionar um novo “funcionário” para sua empresa. Ora, qualquer funcionário sabe que, se em alguns dias não mostrar competência e honestidade para desempenhar sua função estará demitido. Aqui eu pergunto: Podemos demitir um candidato eleito? Sabemos que ele ficará lá “por quatro anos”, sendo uma tarefa “hercúlea” revogar seu mandato.

Voltando a questão do voto, nas eleições de 2004 em Alvorada a quantidade de votos dados aos candidatos nanicos, brancos e nulos seria suficiente para engrandecer a vitória de um ou reverter a derrota de outro.

Penso que é chegada a hora de o TSE direcionar seus recursos para discutir o processo eleitoral, as composições partidárias, os mandatos e, principalmente, a obrigatoriedade do voto.

09/11/2008

* Professor de História, músico e fanzineiro
Contatos: denilson@atrincheira.com.br
Ilustração: Alex Doeppre (Novo Hamburgo)

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