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QUADRINHOS PROIBIDOS
Denilson Rosa dos Reis*

Fiquei surpreso com a
notícia de que a Secretaria de Educação do Estado do Rio Grande do Sul
proibiu as obras do Mestre da arte seqüencial Will Eisner: O Jogador, Um
Contrato com Deus e O Nome do Jogo.
Logo que li a notícia,
corri até a biblioteca do colégio onde trabalho para conversar com a
bibliotecária, que me mostrou o ofício da SEC e as obras retiradas das
estantes, que foram embrulhadas para posterior envio até a Coordenadoria
de Educação da Região.
Will Eisner é
considerado um dos principais artistas do quadrinho mundial. Nos Estados
Unidos, o principal prêmio anual do quadrinho, uma espécie de Oscar,
chama-se Eisner Awards. Foi responsável por criar o personagem Spirit, um
detetive no estilo super-herói, embora sem poder algum. Ao parar de
desenhar Spirit, Eisner dedicou-se a produzir obras realistas abordando o
cotidiano das pessoas.
Das obras confiscadas,
li O Nome do Jogo. Sabem qual é o nome do jogo? O casamento. A obra relata
que o casamento é uma forma de ascensão entre as famílias de judeus que
migraram para os Estados Unidos vindos da Europa. Assim, Eisner vai
mostrando o cotidiano das famílias e, claro, a malícia, o adultério e a
violência aparecem não como apologia, mas para mostrar a “vida real”.
O colégio, como espaço
de educação das novas gerações, deve tomar cuidado com o que leva para
seus educandos, mas isso não dá o direito de obras-primas – como os
quadrinhos de Eisner – serem “limados” das estantes das bibliotecas das
escolas públicas. Estas obras são para o público do Ensino Médio – alunos
a partir de 14 anos de idade – ou seja, jovens que já travaram contato com
o cotidiano que Eisner apresenta em suas obras.
Por que, ao invés de
proibir as obras, elas não foram classificadas por faixa etária, assim
como se faz no cinema, na televisão e nas bancas de revistas? Por que
simplesmente banir das estantes, tal qual se fazia nos mosteiros
medievais?
Por fim, qual será o
destino destas obras? Elas ficarão mofando em armários fechados a sete
chaves? Serão incineradas ou picotadas e jogadas fora? Nenhum governo pode
ter o poder de jogar no lixo ou colocar no ostracismo obras de respaldo
mundial como os quadrinhos de Eisner. Se tais livros não vão voltar às
estantes das escolas públicas, que sejam distribuídos para os professores
colecionadores de quadrinhos, que poderão socializá-las entre seus amigos
apreciadores da arte seqüencial.
20/07/2009
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Professor de História, músico e fanzineiro
Contatos:
tchedenilson@gmail.com
Ilustração: Will Eisner
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