O PAPEL DA MÍDIA

Denilson Rosa dos Reis*

Cinco minutos assistindo ao programa Rio Grande no Ar da Rede Record é suficiente para perceber o pensamento pequeno que a emissora tem sobre questões importantes da vida social e do papel que ela tem a desempenhar.

Você leitor já ouviu a frase “bandido bom é bandido morto” muitas vezes. Certo? Quando nos deparamos com atos de atrocidades cometidos por bandidos sentimos muita raiva, e isto é normal, a final temos mesmo que nos indignar com as injustiças da vida e lutar contra elas.

Nos poucos minutos que fiquei atento ao apresentador ouvi absurdos que fizeram com que logo pensasse na frase acima citada. O jornalista defendia a ação policial que levou a morte de um assaltante como a única alternativa contra os assaltos. Ao mesmo tempo aproveitou para “sentar”, gratuitamente, a “lenha” nos Direitos Humanos que, segundo ele, só aparecem quando uma pessoa “do mau” é exterminada pela ação do Estado, calando quando uma pessoa “do bem” é vítima de delinqüentes que ao ocorrer mortes nos confrontos entre policiais e contraventores pode ser uma fatalidade, é fato, mas defender assassinatos de delinqüentes em rede de TV é outra história.

Desde que a humanidade aprendeu a andar em pé as pessoas de má índole vieram juntas. Sempre existiu e existirão pessoas cometendo maldade e, para isso, é necessário uma certa dose de repressão. Agora, defender o extermínio de qualquer “bandido” é uma atitude que me lembra o fascismo. Por que estamos vivendo um período de extrema violência social? Isto os programas sensacionalistas não querem discutir. Estes programas só fazem é aumentar o ódio social e, é sempre bom lembrar que “violência só gera mais violência”.

Estamos num momento em que se faz necessário levar a população a pensar o porquê de tanta violência, assaltos, quadrilhas, etc. As emissoras de TV como concessão pública deveriam fazer este trabalho educativo. Mostrar o erro social do delinqüente é papel do jornalista tanto quanto discutir porque ele é levado a esta condição, qual o papel do Estado neste processo e também as relações sociais daí resultantes.

“Cidadão bom é cidadão na escola”.

15/03/2009

* Professor de História, músico e fanzineiro
Contatos: tchedenilson@gmail.com
Ilustração: Marcelo Tomazi (POA/RS)

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