MACAQUITOS

Denilson Rosa dos Reis*
 

Passados 118 anos da Abolição da Escravatura no Brasil (13/05/1888), entramos no mês de maio de 2006, onde deveríamos estar comemorando a data histórica, novamente fazendo reflexões sobre o preconceito racial e a condição do negro, não só no Brasil como no mundo.

Estamos acompanhando nos últimos anos uma possível retomada de partidos de extrema direita na Europa, inclusive com disputas acirradas e até vitórias em eleições. Também na Europa surgem grupos neonazistas com manifestações fortes, que acabaram chegando ao futebol.

A Europa é o centro financeiro do futebol. Para lá rumam atletas dos quatro cantos do planeta, marcadamente da América do Sul e África, onde os negros tem forte ascendência no futebol. Agora vemos craques de renome internacional que tem a tez escura sofrerem agressões verbais e porque não dizer morais por parte de torcedores, que inclusive desfraldam nas arquibancadas bandeiras estampando símbolos nazi-fascistas.

Por aqui tivemos em 2005 manifestações em Caxias por parte da torcida do Juventude contra o jogador Tinga do Internacional e também o caso “Grafite”. O jogador, então do São Paulo, foi chamado por seu adversário argentino da equipe do Quilmes de “negro”, “macaquito”, como uma forma ofensiva que acabou levando-o para traz das grades.

Alguns comentaristas acharam exagero a prisão. De minha parte, confesso que não tenho uma opinião formada. Mas não tenho dúvida de que algo deveria ser feito, pois é inadmissível, em pleno século XXI, tal postura do jogador argentino.

Agora, fico me questionando: será que os argentinos chamariam os jogadores da seleção norte-americana de basquete, predominantemente negros, de “macaquitos”? Me parece, no caso Brasil e Argentina, que a questão vai além do preconceito racial. Não lhes parece?

10/05/2006

* Professor de História, músico e fanzineiro

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