VELHINHOS BONS DE ROCK

Denilson Rosa dos Reis*

 

“Não tenho mais idade para isso!”. Esta frase é bastante comum. Várias pessoas costumam usá-la quando estão frente a algo rotulado de “coisa de jovem”. O rock’n’roll sofre bastante com isto, sendo sempre ligado à juventude rebelde.

Ver os “velhinhos” do Deep Purple de volta a Porto Alegre pela 4ª vez, fez-me lembrar desta frase. Mas, não para reafirmá-la, e sim contestá-la. Os “velhinhos” do Purple são bons de rock!

No dia 25 de novembro de 2006, assisti pela 3ª vez – todas no Gigantinho (Porto Alegre) – ao show do Deep Purple. Muitos achavam que os “velhinhos” não rolavam mais para o rock. Ledo engano! Mesmo com sessenta anos nas costas da maioria dos músicos, Ian Gillan (voz), Roger Glover (baixo), Ian Paice (bateria) – os históricos – Don Airey (teclado) e Steve Morse (guitarra), mostraram muita vitalidade, entrosamento e, principalmente, alegria de tocar, após todos estes anos, frente a um público receptivo como o gaúcho.

O show apresentou músicas do CD mais recente da banda, “Rapture of the Deep”, além dos clássicos que não poderiam faltar sob pena do público gritar: “Highway Star” e “Smoke on the Water”. Se bem que gritaram do mesmo jeito, mas de felicidades de ouvir os riffs clássicos.

Gostaria de destacar o baixista Glover, que parece comandar o show junto à platéia; as lembranças de riffs consagrados de outros guitarristas homenageados por Morse; o “Canto Alegretense” tocado pelo tecladista Don Airey; e, a surpresa do repertório, “Hush”, que a banda não havia apresentado nas vezes anteriores em que esteve em Porto Alegre.

Com o Deep Purple, “sempre se tem idade para isso!”.

 

23/02/2007

* Professor de História, músico e fanzineiro

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