CAPITALISMO
X
SOCIALISMO
Denilson
Rosa dos Reis*
Em
janeiro de 2005 ocorreu um debate sobre a bipolaridade
capitalismo/socialismo nas páginas do jornal Correio do Povo de Porto
Alegre a partir de uma resposta minha ao leitor Lúcio Borges que
sentenciou que o socialismo é um “estelionato ideológico”. Confira,
a seguir, o debate entre este articulista e o senhor Lúcio Borges que
também contou com a participação de outros leitores do jornal.
“Dizer
que o socialismo é um ‘estelionato ideológico’, como fez o leitor Lúcio
Borges, é no mínimo desconhecer o processo histórico. Um pensamento
ideológico não deve pagar por possíveis erros cometidos por pessoas ou
governos. No mais, ‘estelionato’ é o que faz o capitalismo ao nos
vender a ilusão da liberdade e do paraíso e nos deixar cada dia mais
escravos do sistema.” (Denilson Reis)
“Capitalismo
ou socialismo, para o povo não interessa o tipo de governo. As pessoas
querem ganhar um salário que possa sustentar suas famílias e educar seus
filhos.” (Joaquim Bentacur)
“O
leitor Denílson Reis afirma que desconheço o processo histórico do
socialismo. Historicamente, é sabido e notório que o socialismo não deu
certo e só gerou pobreza, desgraça e miséria. Se era tão bom assim,
por que tantas pessoas fugiram da Alemanha Oriental e tantas outras fogem
de Cuba?” (Lúcio Borges)
“Em
relação à carta de Lúcio Borges, esquece o leitor que a Alemanha foi
espólio da guerra que iniciou e perdeu. Pagou pouco pelo mal que fez
contra a população civil quando invadiu a Rússia. O muro deveria
existir até hoje. Quanto aos cubanos que vão ilegalmente para os EUA, são
em número muito menor do que os brasileiros que fazem o mesmo.” (Moacyr
Freitas)
“O
leitor Lúcio Borges fala sobre dois exemplos em que o socialismo não deu
certo. Volto a repetir, não podemos negar um sistema por erros cometidos
por pessoas ou por governos em sua implantação. Gostaria que o leitor
procurasse uma sociedade em que o capitalismo proporcionasse benesses ao
conjunto da população, não a um grupo privilegiado, dono dos meios de
produção.” (Denilson Reis)
“Talvez
o leitor Denilson Reis defenda o socialismo porque não sabe dos bons
resultados sociais obtidos por sociedades capitalistas. No capitalismo, a
economia depende do trabalho feito e dos riscos assumidos pelos cidadãos,
e não do planejamento centralizado de um elite. O governo se empenha na
regulamentação da economia e na provisão de serviços essenciais como a
saúde e a educação. A Austrália, o Japão e os países da Escandinávia
são bons exemplos.” (Ian Alexander)
“A carta de Ian Alexander só me faz
reafirmar minhas convicções sobre o socialismo, pois seus pressupostos
pregam a igualdade social. Por isso, defendo o socialismo e critico o
capitalismo, que apenas nos dá esmolas. Não quero viver numa sociedade
em que temos de nos contentar
com aquilo que os donos dos meios de produção admitem que a grande
maioria possua. O acesso aos bens e serviços deve ser igual para toda a
sociedade.” (Denilson Reis)
“Enquanto
em Maastrich realizou-se a I Semana Européia de Responsabilidade Social
Corporativa, patrocinada pelo governo holandês, pela Comissão Européia
e por ONGs, nossos modernosos governantes, alçados de tupiniquins a
globalização, ainda praticam a renúncia de receita pública em favor de
empresas concentradores de renda. E, qual neobobos, ficamos nós outros a
atestar o óbito do socialismo e a entoar glórias ao capitalismo.”
(Juarez Guilhon)
“Leitor
pediu que procurasse uma sociedade em que o capitalismo proporcionasse
benesses ao conjunto da população. Alguns: Estados Unidos, Canadá, Finlândia,
Islândia, Noruega, Suécia, Dinamarca, Holanda, Suíça, Áustria,
Inglaterra, França, Itália, Espanha, Portugal e inúmeros outros.
Informo também que não existe socialismo sem capitalismo.” (Homero
Itaquy)
“Nos
países da Escandinávia, temos o capitalismo, mas com vigorosa orientação
e regulamentação governamental, dirigidas ao bem-estar social: nos
demais, temos desenvolvimento econômico concentracionista, não
necessariamente desenvolvimento social. As benesses do capitalismo, nos países
de economias desregulamentadas, são ínfimas em relação às mazelas que
deixam, pois aí predomina o capitalismo selvagem e predatório.”
(Juarez Guilhon)
“O
capitalismo e o socialismo não são formas, nem sistemas, nem regimes de
governo e sim são modos de produção, isto é, como os países se
organizam para produzir e distribuir suas riquezas. Parece que no mundo
contemporâneo não há um capitalismo nem um socialismo puro e sim um
pouco de cada um. A história nos conta que no berço do capitalismo
nasceu o cooperativismo, que é um ramo do socialismo. E quantas pessoas
vimos se dizerem capitalistas autênticas e conduzirem-se para sistemas
socialistas de produção?” (Luiz Tuparaí).
“Em
resposta a Denilson Reis, no capitalismo as pessoas têm de se qualificar
para não serem excluídas do processo (mercado de trabalho). Não podem
ficar esperando pela benevolência do governo ou de entidades sociais. Já
o socialismo tenta nivelar todo mundo por baixo.” (Lúcio Borges)
“Caro
leitor Lúcio Machado Borges, concordo que, no capitalismo, as pessoas
devam se qualificar para entrar no mercado de trabalho (CP 8/4). O
problema é que a qualificação fica restrita aos que têm posses. Mas
dizer que no socialismo se nivela por baixo é um equívoco. A educação
em Cuba é de qualidade e estendida a toda a população.” (Denilson
Reis)
“A
afirmação do leitor Denilson Reis dizendo que a educação em Cuba é de
qualidade não é verdadeira, pois, nas ditaduras, a educação é
conduzida no sentido de bitolar professores e alunos; só pode ser
ensinado o que serve à cúpula governante. O que pode haver em Cuba é
escola para todos.” (José Disconzi)
“O
leitor José Disconzi argumentou que, na ditadura de Cuba, a educação é
conduzida no sentido de bitolar
professores e alunos, pois só é ensinado o que serve à cúpula. Mas no
Brasil, não é a mesma coisa, apesar de nossa fachada democrática? No país
de Fidel Castro, bem ou mal, ao menos há escola para todos, enquanto,
aqui, milhares de crianças estão fora das salas de aula. Não defendo
ditaduras, mas também não vejo liberdade e qualidade na educação pública
brasileira.” (Leopoldo Arnold)
“O leitor José Disconzi diz que, com a
ditadura castrista, é impossível educação de qualidade. Talvez seja
verdade quando se tratar de formação ideológica, mas não vejo como o
castrismo podar o conhecimento científico de cursos como Medicina,
Arquitetura, Engenharia, Biologia, entre outras. Além do mais, se a
ditadura bitola professores e alunos, não esqueçamos que no capitalismo
vigora a ditadura do mercado.” (Denilson Reis)
14/03/2006
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Professor de História, músico e fanzineiro
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