CHUCK BERRY: A LENDA DO ROCK

Denilson Rosa dos Reis*

Quando o relógio marcou 22h do Sábado, dia 21 de junho de 2008, e abriram-se as cortinas do palco do Pepsi on Stage, em Porto Alegre, estava no palco um senhor de 81 anos e seis décadas dedicadas ao rock’n’roll: Chuck Berry. Logo veio a minha mente a cena de uma improvável apresentação de meu falecido avô empunhando uma guitarra. Se ele fosse vivo estaria na mesma faixa etária que Berry. Assim, aos 81 anos podemos dizer que o homem virou Lenda e como tal é que este show deve ser reverenciado.

No dia 18 de outubro de 1926, em St. Louis, Missouri, EUA nascia Charles Edward Anderson Berry, o homem que se tornaria Lenda do rock ao misturar a batida da música caipira com a harmonia e a malícia do blues. A combinação do blues com o country criou a mistura explosiva e rebelde do rock’n’roll e Chuck Berry é peça importante neste cenário.

Seu primeiro sucesso foi Maybellene, gravada em 1955. Ainda na década de 1950 outras viraram clássicos do rock: Roll Over Beethoven, Rock and Roll Music, Sweet Little Sixteen e a maior de todas, Johnny B. Goode. Nas décadas seguintes, mesmo com o rock tomando feições das mais variadas, a Lenda ainda teria fôlego para gravar novos hits: You Never Can Tell e My Ding-a-Ling.

O show de Porto Alegre deve ser visto, então, com os olhos de quem vê uma lenda viva que chegou para ser reverenciado. Esperar que Chuck Berry fizesse um show performático aos 81 anos de idade seria pouco provável.

Na abertura da noite o bluesmen gaúcho Fernando Noronha, com sua banda Black Soul, mostrou porque é um dos mais importantes guitarristas de blues da atualidade e com reconhecimento mundial.

Chuck Berry subiu ao palco e mesmo antes do primeiro acorde a Lenda já foi reverenciada ao coro de 3 mil pessoas gritando “Chuck, Chuck, Chuck”, o que repetiu-se ao longo do show. Dá primeira música, Roll Over Beethoven até Berry perguntar se o público queria ouvir Johnny B. Goode, era acompanhado pela platéia que parecia “auxiliá-lo” a cantar os clássicos do rock’n’roll. E Chuck não deixou nenhuma de fora, parecendo presentear a um público que o deixou feliz no palco.

16/09/2008

* Professor de História, músico e fanzineiro

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