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EDUCAÇÃO NO RS: ESTUDO DE CASO
Denilson Rosa dos Reis*

Yeda Crusius assumiu o
governo do Rio Grande do Sul e logo começou a colocar em prática o seu
“novo jeito de governar” que havia falado durante a campanha eleitoral,
mas que não deixara muito claro como seria. Aliás, antes de assumir mandou
um projeto para a Assembléia Legislativa que não foi aprovado. Resultado:
acabou sobrando para o funcionalismo, mais uma vez, pagar a conta da falta
de recursos no caixa do estado.
Em relação à Educação,
publicou um decreto proibindo qualquer tipo de convocação de professor.
Convocação é quando um professor tem sua carga horária ampliada para
suprir necessidades de pessoal na escola. A intenção do governo é diminuir
despesas alegando que, segundo números do governo, 28% dos professores
estão em funções administrativas, o que leva a falta dos mesmos em sala de
aula.
Concordo que lugar de
professor é na sala de aula. O que sempre aconteceu em muitas escolas é o
fato de não existir um profissional específico para cada área, levando
professores concursados para sala de aula a serem deslocados para
trabalhar como supervisor escolar, orientador educacional, bibliotecário,
secretário e até auxiliar de disciplina. No caso de uma escola, estes
setores são importantíssimos para o desenvolvimento do trabalho de sala de
aula, como suporte aos professores. No momento em que os professores
retornam para a sala de aula, profissionais da área deveriam ser nomeados
para ocuparem estas lacunas. Disse “deveriam”, pois não é o que está
acontecendo.
ESTUDO DE CASO: COLÉGIO CASTRO ALVES
O Colégio Estadual
Antônio de Castro Alves, um dos maiores do estado e tido como referência
no município de Alvorada, foi um dos mais afetados com o “novo jeito de
governar” de Yeda. Vários professores que ocupavam cargos administrativos
retornaram para sala de aula, deixando os setores desfalcados. Não existe
mais auxiliar de disciplina para controlar os corredores, diminuiu o
atendimento na secretaria, reduziu a carga horária da supervisão e a
biblioteca está fechada durante o dia. Para uma escola com quase 3 mil
alunos isto é o caos. Sem falar que, ao retornarem para sala de aula,
estes professores acabaram substituindo outros, que tiveram que deixar a
escola.
Mas o caso mais grave
ocorreu com os alunos de 6 anos – a nova 1ª série. Recém chegados ao
colégio, fizeram adaptação com uma professora convocada. Um mês e meio
depois, o governo cortou sua convocação e as crianças ficaram um mês sem
aula até a chegada de uma nova professora. Pensou-se no burocrático e
jogaram o pedagógico no lixo.
Bem, sabemos que tudo
isso que vem acontecendo é fruto do desmonte da educação pública levada a
cabo por governos neoliberais.
Neoliberalismo é
uma palavrinha que anda meio esquecida nestes últimos anos de governos
pseudos-esquerdistas espalhados pela América do Sul, mas que continua como
pauta dos governos. Para quem conhece a trajetória política do PSDB e da,
pasmem, professora Yeda Crusius, nada é estranho.
08/08/2007
* Professor de História, músico e
fanzineiro
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