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BLIND LEMON JEFFERSON:
Nó Cego na Esquina do Blues
Denilson Rosa dos Reis*

Lemon, nome verdadeiro, porque nasceu
gordinho como um limão, em 1897, na cidadezinha de Wortham, no Texas. Cego
de nascença, Blind Lemon era muito esperto e, de certa forma, compensava a
deficiência. Já aos 14 anos, era tão alto como os pais e começava a cantar
e tocar violão. Em 1917, aos 20 anos, deu adeus a pai e mãe e pegou um
trem para Dallas.
O começo na grande cidade foi duro. Por
dinheiro figurou em teatros que apresentavam luta livre, pois, como cego
era tido com exótico. Foi fazendo contatos e acabou tocando na zona – no
chamado red-light district. Lemon tinha integrado à sua música os sons
mais primitivos do campo. Agora, ele absorvia a música da cidade.
Paul Oliver define o estilo de Blind Lemon
Jefferson:
“Quando cantava, o fazia com um pathos
profundo, o sentimento de um homem mergulhado para sempre na escuridão.
Sua voz era aguda, seca e tinha uma força cortante que afastava toda
hipocrisia e deixava a alma exposta. Com um domínio natural da nuance, ele
usava uma quantidade de técnicas vocais, emitindo uma nota com uma
precisão total, elevando-a deixando a voz subir e decrescer, entrando em
cadência como o apito de um trem no meio da noite. Ao contrário dos
bluesmen do Mississippi, o canto de Lemon, próximo do berro, não tinha uma
batida insistente. Em vez disso, ele suspendia o ritmo e segurava uma nota
para enfatizar uma palavra ou um verso. ‘Martelando’ as cordas,
estrangulando-as e usando arpeggios rápidos, Lemon jogava com frases
rápidas que estendiam sua linha vocal. Para ele, o violão era uma outra
voz e ele freqüentemente usava frases imitativas, num estilo altamente
inovador e pessoal.”
Uma brisa de prosperidade acabou soprando
sobre Blind: ele agora se locomovia de automóvel, com chofer... é claro.
Na metade dos anos 1920, Lemon viajava sem
parar. Não demorou para que as gravadoras partissem no seu encalço. Suas
primeiras gravações foram produzidas em Chicago, na primavera de 1925, mas
o disco só foi lançado no verão de 1926. Em fevereiro de 1926, Lemon
gravava pela segunda vez e em abril a Paramount anunciava seu primeiro
disco.
A paga era ínfima, os royalties eram
escamoteados e Jefferson só ficou na Paramount porque Williams o comprava
com mulheres e bebida. Com a saída de Mayo Williams, as relações entre
Jefferson e a Paramount deterioraram.
Em fevereiro de 1930, o corpo de Blind
Lemon Jefferson, 33 anos, foi encontrado congelado na rua, coberto pela
neve de um dos piores invernos de Chicago. A inseparável guitarra foi
encontrada ao lado do corpo.
Morto, Blind Lemon virou herói
instantâneo. Em cinco anos de Paramount, ele gravou 79 blues (além de dois
gravados para Okeh). Como Mozart na música clássica, como Charlie Parker
no jazz, Blind Lemon Jefferson só viveu trinta e poucos anos. Mas foi o
suficiente para que o seu gênio proporcionasse muitas décadas de
influência que marcaram – e mudaram – a trajetória e a linguagem do blues.
20/11/2009
*
Professor de História, músico e fanzineiro
Contatos:
tchedenilson@gmail.com
Imagem: Alex Doeppre (Novo Hamburgo/RS)
Fonte: Blues, Da Lama a Fama (Editora 34)
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