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1968: É PROIBIDO PROIBIR
Denilson Rosa dos Reis*
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O título deste artigo
procura sintetizar o que foi o ano mais significativo do século XX: 1968.
Quarenta anos atrás
jovens, operários, camponeses, negros e mulheres saíram às ruas mundo
afora para manifestações de luta pelos seus direitos, além de protestos
pela falta de democracia, contra a Guerra do Vietnã e até mesmo contra a
“caretice” dos pais.
Mobilização Mundial
Daniel Cohn-Bendit um
franco-alemão liderou um grupo de jovens estudantes da Universidade de
Nanterre, Paris, insatisfeitos com o sistema autoritário e a burocracia da
instituição. A partir daí os jovens foram as ruas e se deu um verdadeiro
embate com as forças policiais. Embora os franceses recebam o rótulo de
terem dado início as manifestações, elas ocorreram em vários momentos e
países, cada um com suas especificidades e consequências.
No México, 48
universitários foram mortos no famoso Massacre de Tlatelolco. O
primeiro protesto contra a guerra no Vietnã a ser televisionado se deu em
Berlim, Alemanha. Em Roma, Itália, os estudantes unidos aos operários
fecharam a Universidade. Na então Tchecoslováquia, os soviéticos invadiram
Praga para sufocar as tentativas de reformas dentro do sistema stalinista.
Já nos Estados Unidos os protestos foram desde a contrariedade da Guerra
do Vietnã até a luta dos direitos civis dos negros, liderados pelos
Panteras Negras, passando pela busca de respeito as mulheres e gays.
Cenário Nacional
Assim como ocorria no
resto do mundo, no Brasil os jovens também iniciaram seus protestos contra
a reforma universitária do governo Costa e Silva, contra a repressão da
Ditadura Militar implantada em 1964 e pela volta da democracia.
A morte do estudante
Edson Luís foi o mote para a explosão de uma manifestação gigantesca que
desencadeou na famosa Passeata dos 100 Mil. No Rio de janeiro os
estudantes organizaram uma passeata que acabou levando vários seguimentos
a engajarem-se nela.
Contracultura
No campo cultural, os
anos 1960 também foram efervescentes e, as mais diversas manifestações
artísticas incorporaram-se ao espírito da rebeldia e contestação da época.
O movimento hippie
veio para apresentar um forma de convívio coletivo que se opunha aos
valores de uma sociedade capitalista, consumista, individualista e,
principalmente, moralista e conservadora. Assim, a arte produzida estava
nesta sintonia. Exemplos: a peça Hair que apresentava o movimento
hippie e a chamada Era de Aquários; o festival de
Woodstock e as molodias que saíam da guitarra de Jimi Hendrix;
o Cinema Novo e o Tropicalismo no Brasil; as histórias em
quadrinhos de Robert Crumb e Gilbert Shelton.
Reação Violenta
As manifestações que
ocorreram em todo planeta foram severamente reprimidas pelos governos,
fossem eles democráticos ou ditatoriais, de direita ou de esquerda.
Diversas lutas campais foram realizadas em cidades como Paris, Chicago,
México, Praga, Varsóvia, Rio de Janeiro.
No Brasil a
ditadura dos Generais chegou a seu auge autoritário com a promulgação
do Ato Institucional nº 5 (AI5) com a finalidade de desarticular os
setores políticos de oposição, os movimentos populares, tanto urbano como
rural. Além disso, abusou da violência e tortura contra presos políticos.
O Sonho Continua
Comemorar os 40 anos
do Maio de 68, longe de ser apenas uma recapitulação histórica, é
mostrar que os sonhos daqueles jovens ainda não estão mortos. Eles
continuam no imaginário de milhares de jovens e adultos que continuam
lutando contra o sistema, que teimam em não se renderem a avalanche do
pensamento único da sociedade capitalista que tenta nos proibir de sermos
o que somos. É proibido proibir de sonhar!
25/06/2008
* Professor de História, músico e
fanzineiro
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