|
2008 E O
CENÁRIO MUNDIAL
Adailson Luis
Lopes Rodrigues*
A crise está aí!
O ano de 2008 será lembrado como o ano em
que a economia capitalista produziu mais uma de suas grandes crises. No
mundo globalizado a dimensão da crise transformou aspirações em
frustrações. Em todo o mundo, a crise (imobiliária, comercial, industrial,
financeira) produziu uma quebradeira de empresas em função de especulação
selvagem do capitalismo financeiro (e faceiro!). O que vimos foi
desestruturação do sistema financeiro norte-americano, baseado nas últimas
décadas, no aumento expressivo do crédito, o que produziu um mar de
especulação, principalmente no setor imobiliário. Empresas quebraram e o
desemprego aumentou (as maiores taxas dos Estados Unidos nos últimos
tempos). Essa crise percorreu o mundo derrubando Bolsas de Valores,
retraiu gastos e investimentos. Com a quebradeira das grandes empresas, o
velho ciclo de crise se instalou: queda na produção, demissões, queda no
consumo e assim vai. Sobrou para quem? Novamente o Estado tornou-se o
salvador da pátria (dos bancos, empresas, bolsas de valores). O engraçado
é que os defensores do Estado Mínimo estão meio atordoados com a situação.
Dessa vez o Estado tem que ser máximo: bancos, multinacionais e
especuladores não podem falir (tenho uma pena da GM pedindo “grana” para o
Obama). A solução é o dinheiro público salvar os interesses privados.
Barak Obama Maynard Keynes talvez tenha receita para o fim da crise.
Obama para o mundo?
E por falar em Obama, em 2008 o mundo viu
a chegada ao poder, lá no Tio Sam (EUA), do primeiro presidente negro na
História norte-americana. Certamente isso representa um grande avanço na
luta contra a discriminação racial nos EUA e no mundo. A chegada de Obama
ao poder representa o fim de hegemonia da família Bush e do Partido
Republicano à frente dos EUA. Obama é resultado dos movimentos que bateram
de frente contra o preconceito racial. Mesmo assim, não devemos pensar que
no seu governo os EUA deixarão de ser a maior potência do planeta. Pelo
contrário, as práticas serão diferentes, mas os interesses continuam os
mesmos, os xerifes do mundo ainda serão eles.
Aquecendo um pouco mais
Dois mil e oito foi o ano em que o planeta
viu se confirmar algumas projeções sobre o aquecimento global. A
industrialização desvairada e o uso inconseqüente dos recursos naturais
está produzindo uma série de problemas ambientais que influenciam
diretamente a vida de milhões de habitantes. Problemas como o efeito
estufa, a redução da camada de ozônio, a desertificação e o desmatamento
intensificaram as situações de desequilíbrio ambiental. Fatos como os que
ocorreram em Santa Catarina e o agravamento da seca no Nordeste do Brasil
estão diretamente ligados a esses problemas. Estamos deixando um meio
ambiente verdadeiramente caótico para as próximas gerações. Só que o
futuro já é em 2009!
Xenofobia
Na Europa a
xenofobia e o desemprego se intensificaram. Os governos da França e da
Espanha intensificaram o cerco aos imigrantes, nesse embalo, xenofobia e
racismo caminharam passo a passo. Diferentemente dos anos 60 e 70, os
imigrantes agora são pessoas não gratas nas sociedades européias. Os
colonizados que fiquem nos seus países curtindo sua pobreza numa boa!
29/01/2009
* Professor de História
e Geografia da rede pública estadual
Imprima este artigo
|