|
Resistência e Luta
Adailson Luis
Lopes Rodrigues*
Definitivamente não somos uma democracia
racial como se acreditou durante muito tempo. Os fatos, os exemplos estão
aí! Você ainda não percebeu que a pobreza é mais cruel para quem é negro?
Não, pobreza não escolhe cor da pele! No Brasil parece que sim! O fato é
que nossa sociedade produziu um processo histórico de exclusão social e
racial. E ainda têm aqueles que acreditam que racismo é “coisa de negro”
sem capacidade e com mania de perseguição. Talvez esses deveriam ler um
pouco mais para não reproduzirem tanta bobagem.
Primeiro veio à princesa Isabel (viva!) e,
percebendo o imenso sofrimento que os povos africanos passavam, promulgou
a “redentora”, a Lei que tirou os negros da senzala e jogou na favela.
Claro! O fim da escravidão era um grande negócio às crescentes potências
européias, principalmente à Inglaterra. O capitalismo tem dessas coisas,
transforma o escravo em consumidor e o consumidor em escravo. Em nossa
sociedade, negro bom é aquele que tem grana. Não é, Ronaldinho?
O Brasil foi o último país a abolir a
escravidão negra, no dia 13 de maio de 1888. Uma data que representa a
libertação dos escravos, mas, ao mesmo tempo, produziu ao longo dos anos,
uma exclusão sutil e vergonhosa. Nesse sentido essa data não representa
uma verdadeira liberdade, pois, liberdade sem igualdade, sem dignidade,
não é liberdade, é apenas sinônimo de exclusão.
Neste mês de novembro temos como uma data
realmente importante, o 20 de Novembro, dia da morte do maior líder negro
na resistência e luta contra a escravidão: Zumbi dos Palmares. Durante
anos nossa historiografia oficial produziu um cenário histórico em que os
negros eram vistos, nos livros e nas salas de aula apenas como escravos
que aceitavam de forma passiva a escravidão. Na verdade os diferentes
povos africanos trazidos para o Brasil e escravizados promoveram grande
resistência e luta contra a opressão. Os Quilombos representavam um dos
maiores focos de resistência, sendo o principal, o Quilombo de Palmares
liderado por Zumbi, localizado em Alagoas. Portanto, a simbologia do vinte
de novembro representa a luta atual dos afro-descendentes, contra a
exclusão racial e social que, de forma velada, existe em nossa sociedade.
Esse é um bom momento
para refletirmos sobre a importância dos povos africanos e
afro-brasileiros pois, sua diversidade e riqueza cultural foi fundamental
na formação social, econômica e cultural do Brasil.
Resistência e luta na letra dos
Racionais Mcs:
Gosto de Nelson Mandela, admiro Spike
Lee
Zumbi, um grande herói, o maior daqui
São importantes para mim, mas você ri
e dá as costas.
(...)
Porém, não quero, não vou, sou negro,
não posso,
Não vou admitir!
De que valem roupa caras, se não tem
atitude?
E o que vale a negritude, se não
pô-la em prática?
A principal tática, herança de nossa
mãe África.
A única coisa que não puderam roubar!
Rapidinha
Muito interessante o “novo jeito” de
governar da governadora Yeda:
- Dinheiro para educação é gasto!
- Professor e nada são a mesma coisa!
- Governar é cortar gastos e aumentar o
salário da governadora e dos seus secretários.
- A Secretaria de Educação é o DOPS do
século XXI.
27/11/2008
* Professor de História
e Geografia da rede pública estadual e DJ
Imprima este artigo
|