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Presídio
Adailson Luis
Lopes Rodrigues*
A mobilização sobre a
instalação de um presídio em Alvorada não está promovendo um debate
verdadeiramente sério sobre o tema. Os interesses da política clientelista
e assistencialista da cidade da solidariedade estão em alta. A atual
administração municipal obviamente não quer entrar para história como o
governo que trouxe o presídio para a cidade (nem administração do PT
gostaria). Na cabeça de boa parte da população, um presídio significaria a
assinatura de que a cidade é um berço de violência, o que não é verdade.
Alvorada não é diferente de qualquer cidade de região metropolitana do
Brasil. A marginalidade social e econômica exclui pessoas, cidades e
regiões. Agora, nossos representantes encontraram uma boa oportunidade de
defender os “interesses da cidade”. Essa mesma mobilização também poderia
ocorrer quando se fala em projetos sociais e culturais à cidade. Ainda não
vi nossos vereadores (com raríssimas exceções), fazerem discursos
aclamados, promoverem fóruns, debates, seminários, sobre projetos que
realmente tenham importância à população de Alvorada – cabe lembrar que a
população de Alvorada não é formada apenas pelos comerciantes da Getúlio
Vargas. A mobilização em torno da instalação de um presídio na cidade
poderia ser um bom momento para que tanto o executivo quanto o legislativo
mostrassem seus projetos e barganhassem investimentos na área social e
cultural para o município. Temos que ter a consciência de que os problemas
de Alvorada não começam e terminam na construção ou não de um presídio na
cidade. Nossos problemas e dificuldades já estão enraizados e não se
tornarão maiores ou menores em função dessa questão do presídio.
Educação
Geralmente muitos pais
entregam seus filhos às escolas e “esquecem” de acompanhá-los nos estudos.
Hoje muito se fala sobre a questão da violência dentro das escolas. Esse é
um problema que passa pela importância que os pais dedicam à educação de
seus filhos. O processo de aprendizagem é uma construção que passa pela
interação de pais, alunos e professores. Infelizmente a realidade social e
econômica faz com que os pais larguem seus filhos na escola no início do
ano, para buscá-los apenas no final do ano, esperando que estejam
“preparados” para o mundo. Segundo o psicólogo Álvaro Marchesi “nas
sociedades em que a escola, a família e o poder público não vão bem, nada
funciona bem”. Mesmo assim, a participação efetiva dos pais no ambiente
escolar é fundamental para que a formação do aluno seja mais rica. No
passado se dizia que “educação se aprendia em casa”, mas como aprender
alguma coisa em casa se os pais não têm tempo para seus filhos? Em casa,
os filhos estão sendo educados por quem? Pelo “Mais você” da Ana Maria
Braga ou pela novelinha “Malhação”. Não, talvez o traficante do bairro já
esteja cuidando disso. Os pais devem dedicar mais tempo de diálogo com
seus filhos. Já a escola, deve estar preparada para incentivar os pais a
acompanharem a vida de seus filhos na escola. Quando pais, alunos e
professores entendem a importância da educação na sociedade, o processo de
ensino-aprendizagem proporciona que cada um possa contribuir para a
formação dos alunos.
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Alvorada está vivendo uma nova
modalidade de ensino: é a educação na praça. Das 19 horas até as 21
horas é fácil você encontrar vários “alunos” estudando nos bancos da
praça sobre o uso do crack na sociedade ou sobre a importância do vinho
na formação da sociedade gaúcha.
18/04/2009
* Professor de História
e Geografia da rede pública estadual
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