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Os educadores
também são responsáveis
pela reprodução do preconceito racial?
Adailson -
P.L.U.R.*
O espaço da educação na sociedade
brasileira, entre outros aspectos, representa a possibilidade de se
trabalhar as relações sociais e culturais na formação de alunos e alunas
de diferentes idades, grupos sociais, credos e etnias. Portanto, o espaço
de escola deve ser um ambiente em que prevaleçam o respeito à diversidade
e aos saberes que são produzidos nas relações entre os envolvidos no
processo ensino-aprendizagem. Mesmo assim, percebemos que muitas de nossas
escolas ainda estão impregnadas de preconceito e discriminação, e servem
como veículos de reprodução de visões estereotipadas e preconceituosas
sobre aspectos formadores e integrantes da sociedade brasileira,
principalmente quando se trata das manifestações afro-brasileiras. O que
mais preocupa é o fato de que muitos “educadores” reproduzem discursos e
práticas que estimulam, consciente ou inconscientemente, o preconceito
racial no país. Esse preconceito se forma não apenas pelas expressões
racistas entre alunos em sala de aula, mas também entre professores e
alunos, ou pela super-valorização de determinados estereótipos ou pelo
próprio silêncio e ocultamento da imagem dos negros. O que impressiona é
que muitos colegas professores encaram isso com uma naturalidade cínica e
hipócrita, o que certamente não contribui para o combate ao racismo nas
escolas e na sociedade.
Se as escolas, que deveriam estar
preparadas (ou pelo menos proporcionar uma preparação aos educadores) para
colocar em prática a Lei 10.639, não o fazem, outros coletivos organizados
na sociedade já vêm desenvolvendo trabalhos no sentido de mostrar,
discutir e valorizar os povos e a cultura dos afro-brasileiros. Aqui em
Alvorada temos o grupo AFRO-AXÉ-DELÊ, dirigido pela Ialorixá Sandra
Chagas, que realiza um trabalho com crianças e adolescentes sobre
religiosidade, música, danças e outros aspectos da cultura brasileira
influenciados pelos africanos e afro-descendentes. O grupo tem realizado
várias apresentações em eventos, escolas e universidades. Recentemente, em
uma apresentação, o grupo se deparou com a falta de respeito e o
preconceito de algumas pessoas que, de forma jocosa e pejorativa,
debocharam da apresentação das crianças. O que torna o fato mais
revoltante é que até mesmo “professores” destilaram seu preconceito e
ignorância diante da apresentação das crianças. Ora! O que se espera é que
no mínimo nossos colegas professores estejam preparados para não
reproduzir o censo comum e tenham capacidade de compreender e respeitar a
diversidade étnico-cultural que integra a sociedade brasileira. Não
podemos concordar que se perpetue uma sociedade que produziu um
preconceito velado e uma falsa democracia racial. Cabe aos professores
serem agentes da inclusão e estimular uma compreensão democrática da
sociedade e que considere as representações africanas e afro-brasileiras
como parte fundante na constituição do nosso povo.
À sociedade em geral e, principalmente,
aos colegas professores desavisados, é bom lembrar que o desconhecimento
amplia preconceitos e nos dificulta olhar as produções culturais dos
diversos povos com equidade. Pensar a diversidade étnico-cultural,
principalmente na educação, é possibilitar inclusão, respeito, conteúdo e
solidariedade, às crianças e jovens que carregam a diferença como estigma,
seja pela sua cor de pele, seja pela sua religiosidade, seja pelo seu
grupo étnico ou apenas por serem diferentes daquilo que é considerado
ideal ou padrão.
Aqui vai um parabéns às crianças do grupo
Afro-axé-delê que demonstram que a cultura e o respeito à diversidade são
o principal caminho para combater o preconceito racial no Brasil e que
nossos colegas professores também compartilhem dessa idéia também.
16/09/2008
* Professor de História
e Geografia da rede pública estadual e DJ
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