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A SUTIL DISCRIMINAÇÃO NA
HORA DO ALMOÇO
Adailson -
P.L.U.R.*
Na
última Terça-feira, ao ver o Jornal
do Almoço, fiquei muito indignado com uma reportagem feita em Caxias
do Sul sobre a boa colocação que alguns alunos das escolas de ensino médio
tiveram ao fazerem as provas do ENEM (EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO) no
ano passado. Algumas imagens de escolas foram mostradas e alunos
entrevistados. Num primeiro momento, pensei que mostrariam algo como o
projeto de educação proposto por essas escolas ou então as práticas
pedagógico-didáticas que influenciaram o bom rendimento no ENEM dos
alunos e alunas do ensino médio em Caxias do Sul (talvez pudéssemos
socializar essa situação às escolas públicas do Rio Grande do Sul).
Pois bem, a justificativa para o bom aproveitamento dos alunos nas provas
do ENEM foi o fato de que a região
de Caxias teve como base de seu povoamento a imigração italiana, o
que, segundo a reportagem, seria um fator de grande importância para
explicar este rendimento.
Essa
é uma visão extremamente segregacionista e preconceituosamente sutil. Não
sei onde está escrito que o fato de ser imigrante ou descendente de
imigrante europeu determine sua capacidade de aprender e construir
conhecimento. Talvez não exista nenhum descendente de africanos ou índios
em Caxias! Ou então descendentes de negros ou índios não teriam a mesma
capacidade de aprender como os descendentes de imigrantes europeus?
Vivemos no século XXI e, infelizmente, ainda temos que conviver com essa
visão arcaica baseada num determinismo
biológico, que serviu para justificar a morte e a segregação de
milhões de pessoas no planeta.
O
pior de tudo é que milhares de pessoas em nosso Estado, todos os dias,
assistem a esse jornal e acreditam que a verdade está ali. Talvez, muitos
não saibam, mas a mídia televisiva é o maior veículo formador de opinião
do país, consciente ou inconscientemente milhões de pessoas reproduzem o
discurso mídiático da TV, seu poder de influência é imenso
(principalmente no Brasil). Diferentes grupos são estereotipados (negros,
mulheres, indígenas...) pela TV, o que influencia diretamente na propagação
do preconceito e da discriminação jocosa e velada que ocorre no Brasil.
Definitivamente
o jornal prestou um desserviço à sociedade gaúcha, perdendo uma bela
oportunidade de discutir mais seriamente a educação no Rio Grande do
Sul.
18/03/2006
* Professor de História
e Geografia da rede pública estadual e DJ
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