CENÁRIOS DA HISTÓRIA:
GUERRA FRIA E
AMÉRICA LATINA

Adailson - P.L.U.R.*

O século XX apresentou uma série de acontecimentos que marcaram definitivamente as sociedades contemporâneas. Entre eles, o processo histórico que ficou conhecido como Guerra Fria, produziu tensionamentos em diferentes regiões do planeta, colocando em oposição duas superpotências que passaram a disputar a hegemonia no cenário mundial. De um lado os Estados Unidos assumiu o papel de liderança capitalista desbancando os países europeus (principalmente ao fim da Segunda Guerra Mundial em 1945) e do outro, a União Soviética (URSS), que adotara o que ficou conhecido como socialismo real[i]. Nesse cenário mundial bipolarizado e de guerra sem enfrentamento militar direto entre as superpotências, a América do Sul foi tomada por vários governos militares associados ao interesse norte-americano de manter a região como sua área de influência e evitar o avanço do socialismo soviético.

Um bom exemplo desse cenário conturbado foi a Crise dos Mísseis de 1962, quando a União Soviética se preparava para instalar uma base de mísseis em Cuba (Cuba a partir da Revolução de 1959 tornara-se socialista e uma área de influencia soviética em pleno “quintal” norte-americano na América central). O governo dos EUA anunciou que estava disposto a usar armas nucleares caso a base fosse implantada. Nesse momento o grau de tensão se elevou e quase provocou um conflito direto entre as superpotências, o que sem duvida traria ao planeta efeitos arrasadores, pois os EUA já demonstrara ao mundo o poder de destruição das armas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. A tensão internacional só diminuiu quando a União Soviética retirou os mísseis. Mesmo assim o fato demonstrou que a disputa entre socialistas e capitalistas estaria influenciando os acontecimentos na América do Sul.

O intervencionismo norte-americano sobre a América do Sul se intensificou após a Segunda Guerra Mundial.  A Doutrina de Segurança Nacional representou a clara política de barrar o socialismo no continente. Nesse sentido tornava-se essencial desenvolver os países pobres nos moldes do capitalismo dependente e promover segurança ideológica e política dos interesses das elites capitalistas locais. Os governos militares que sucederam no continente promoveram uma verdadeira caça aos chamados “subversivos” (os que ameaçavam os interesses do capitalismo).

No Brasil, por exemplo, em 1964, os militares assumiram o poder e fizeram do país uma ditadura que, de certa forma serviu aos interesses norte-americanos de não permitir influência socialista no maior país da América do Sul. Afastando qualquer anti-americanismo superficial, inconseqüente e panfletário, podemos afirmar sim, que o governo americano teve influência no golpe que depôs o presidente João Goulart (Jango). Atualmente vários documentos compravam a associação entre os militares e o governo norte-americano no que ficou conhecido como Operação Brother Sam (um plano de ajuda militar aos golpistas caso fosse necessário).

Obviamente o cenário internacional que se desenhou durante a Guerra Fria apresentou uma serie de questões que se desdobraram nos campos político-econômico, social, ideológico, cultural, geopólitico, tecnológico e militar, demonstrando a singularidade histórica do processo em questão. Os elementos abordados aqui representam apenas uma das facetas da ordem bipolar estabelecida durante o período, mesmo assim podem nos dar uma idéia de como os processos históricos estiveram relacionados à disputa entre socialistas e capitalistas.


[i] Socialismo que se distanciou dos preceitos de seus teóricos.

23/03/2008

* Professor de História e Geografia da rede pública estadual e DJ

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