EXPANDINDO
HORIZONTES:
PROJETOS E MÚSICA ELETRÔNICA
Adailson - p.l.u.r. *
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer às pessoas
que mandaram e-mails com suas opiniões sobre os textos. Espero cada vez
mais a participação crítica dos amigos e amigas. Confesso que não é tão
fácil quanto eu imaginava conciliar os estudos na academia, as aulas no
colégio e a dinâmica que o site exige. Mas só está na TRINCHEIRA quem
não tem medo de dizer o que pensa e não se cansa.
Durante o mês de novembro estive envolvido em alguns
projetos paralelos. A convite do professor Fabiano, estive na Escola
Brigadeiro abrindo a SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA e conversando com cerca
de 300 alunos do ensino básico e fundamental sobre a importância do
SAMBA na cultura afro-brasileira. Como negro e morador de Alvorada, me
senti muito emocionado e feliz ao participar desse projeto relevante na
construção da identidade cultural e da cidadania daquela comunidade.
Parabéns à escola Brigadeiro!
O outro projeto foi o de leituras dramáticas POETAS
MALDITOS, idealizado pelos artistas e amigos Alexandre, Eduardo, Cibele e
Tiago. Com total apoio do bar Corsário, no dia dois de novembro tivemos a
oportunidade de apresentar algumas poesias do “maldito” AUGUSTO DOS
ANJOS. Em breve o projeto retornará com mais malditos.
Ainda
no mês de novembro o site “A Trincheira” esteve presente no projeto
RAÍZES DE ALVORADA, da Secretaria Municipal de Educação. O projeto, que
está sendo organizado pela professora Véra Lucia Maciel Barroso
(professora e diretora do curso de História da FAPA), visa à reconstrução
da história de Alvorada a partir da memória de sua população, uma história,
como a própria professora fala, “de baixo para cima”. Durante uma
semana o projeto viu, ouviu e documentou depoimentos de pessoas de
diferentes classes, etnias, religiões que nasceram ou vieram para cá.
Palestrantes falaram sobre aspectos geográficos, históricos, culturais e
econômicos do município. O site esteve presente com seus colunistas
apresentando comunicações sobre aspectos historiográficos e sócio-culturais
do município.
Em segundo lugar, gostaria de abrir espaço para
escrever sobre outra atividade paralela que desenvolvo. Para quem não
sabe, além de professor de História e Geografia na rede pública
estadual, nas horas vagas gosto de OUVIR, DANÇAR e PESQUISAR sobre MÚSICA
ELETRÔNICA.
Desde de 1993 fui
influenciado por um grande amigo, Sandro Munhoz (hoje professor de Física),
que conheci através de meu compadre Marcio MIX. Lembro que certo dia fui
à casa do Sandro e ele me mostrou uma série BOLACHÕES (discos de vinil
12'), bem diferentes dos que eu conhecia. Até então só ouvia vinis de
MPB, ROCK, POP ou SAMBA. Entre os discos, ouvi um álbum duplo de um grupo
inglês chamado THE PRODIGY, que fazia uma mistura de BREAKBEAT, JUNGLE,
TECHNO com guitarras loucamente distorcidas, sintetizadores ácidos,
scratches e vocais de hip-hop sampleados. Ouvi aquilo e pasmei! Um som bem
diferente daquele “dancezinho” comercial que ouvíamos na antiga rádio
Universal. Pensei: - isso é realmente diferente, vou ter que descobrir o
que é essa tal de música eletrônica. Depois o Sandro e o Marcio me
mostraram um tal de KRAFTWERK. Simplesmente os caras são os mentores da MÚSICA
ELETRÔNICA. Em meio às décadas de 60 e 70, da explosão do ROCK e da
contracultura, os caras criaram as bases do que é a música eletrônica
hoje.
Os vinis (que eram
tocados nas pickups ou “toca discos”) eram comprados em Canoas numa
loja chamada CARTERPILLAR. O Sandro era louco, estudava eletrônica no
Santo Inácio e gastava metade do seu salário em discos. 99% era
importado (Inglaterra, Holanda, EUA, etc.). Além disso, a maioria dos
discos eram SINGLES (versão original de um lado e um remix do outro) e o
máximo de unidades que chegavam até aqui eram duas, e olhe lá! Quem
chegava primeiro acabava comprando um vinil que iria se tornar raro.
Comprei meus
primeiros “toca discos” de um amigo (Beto Dariva), que também
conhecia muito sobre música eletrônica e já trabalhava como DJ.
Aproveitei e comprei seus discos e comecei a “brincar” de ser DJ, o
que hoje se tornou um hobby que faço com muito carinho.
Nas próximas
colunas procurarei trazer uma pouco do mundo da música eletrônica no
Brasil e no mundo. Por enquanto vai só uma palhinha, para a galera que não
conhece. Esses são alguns dos estilos básicos das música eletrônica:
HOUSE
- A música
House iniciou tudo. Há princípios dos anos 80, Djs de Chicago e Nova
York começaram a brincar com músicas de Kraftwerk, que misturavam
velhas peças de disco e Soul, para depois fundi-las com o som de um novo
aparelho eletrônico: a bateria eletrônica 808 da Roland (que encaixava
perfeitamente em seus sets). O som limpo desses druns, combinado com as
delicadas vozes do Soul, deram às festas uma incrível energia, que foi
batizada com o nome de House, pois foi na discoteca The
Warehouse, de Chicago, onde este tipo de música entrou em cena pela
primeira vez. Vocais femininos e linhas de baixo movimentadas. Frankie
Knuckles é aclamado por muitos como o "Pai" da House Music.
Ele é um dos pioneiros deste gênero, juntamente com outros nomes como Tony
Humphries. Atualmente existem muitas sub-vertentes do house, tais
como: Funky-House, Tech-House, Disco-House, Progressive-House, Acid-House,
Soulfull House, Neo-Jazz-House, entre outros. Você pode reconhecer
House pela batida 4/4, os teclados, sintetizadores caseiros, vocais
masculinos, vocais femininos, pianos e o ritmo entre 110 BPM e 128 BPM.
TECHNO
- O
TECHNO é anterior ao house, pois foram grupos como Kraftwerk, Parliament
Funkadelic, Afrika Bambaataa e Cybotron os que criaram as bases da
sonoridade eletrônica que o caracteriza. O termo "Techno" se
atribui à cidade de Detroit, onde grupos como Model 500 tornaram característico
o som eletrônico gerado com instrumentos analógicos, como o Roland
TR-808. Este estilo carece de vozes e se concentra principalmente no
ritmo. O techno de Detroit conseguiu ser divulgado na Inglaterra e
acabou adquirindo tons um pouco mais fortes, transformando-se finalmente
em novos gêneros musicais, como o Acid-Techno (que incorpora o acid da TB-303),
o TekHouse (misturado com house), o HardTekno (mais forte), entre outros.
Derrick May, Kevin Saunderson e Juan Atkins são grandes nomes desse
estilo.
TRANCE
- O
Trance é um estilo criado do techno, só que um pouco mais suave e melódico.
Não tem as vozes características do house, mas conserva essa sensação
"happy" existente nele. Sua progressão característica faz com
que esse ritmo seja extremamente dançante e fácil de digerir. Por isso
ficou rapidamente conhecido na Europa e deu uma mãozinha para outros subgêneros
como o Acid Trance (com TB-303s) e o Hard Trance (mais forte).
GOA TRANCE- Tudo
começou em GOA, ÍNDIA, no final da década de 90, onde hippies,
viajantes, buscadores espirituais, "freaks" e um sem-número de
pessoas ligadas a manifestações de contracultura, munidos de
conhecimento técnico de produção de música eletrônica e de um puro
desejo de curtir e experimentar, desenvolveram, de forma intuitiva, um
novo estilo sonoro. Foram incorporados à tradicional música eletrônica
elementos da sonoridade oriental, bem como ritmos menos industriais do que
aqueles tão comuns ao Techno urbano, que era o estilo vigente da época.
Informações rítmicas tribais e étnicas foram também incorporadas,
resultando assim numa música mais orgânica, mais facilmente assimilável,
que estimulava não só estados próximos ao transe místico (associados
aos mantras indianos, por exemplo), mas também uma maior harmonia com os
ambientes naturais e ao ar livre.
RAPIDINHA:
tem um grande amigo meu, que também é colunista do site, que nunca tinha
dançado ou escutado um bom som eletrônico. Certo verão, ele foi para
Guarda do Embaú (SC) e ao pôr-do-sol à beira-mar, soube o que é a
VIBRAÇÃO de uma festa de música eletrônica de verdade (perguntem para
as caixas de som)!
SÁBADO ELETRÔNICO NO H2O
No dia 02/12/05, o
salão H2O abriu espaço à MÚSICA ELETRÔNICA. Sei que para Alvorada
pode parecer estranho.
E. MUSIC em nossa
cidade?! Pois é, para quem não sabe, existe vida inteligente em Alvorada
e que curte E.MUSIC.
Por favor, não
estou falando das melhores da Jovem Pan. Quem acha que música eletrônica
se resume ao que você ouve nas rádios comerciais, está muito enganado. Estou falando de uma
música que ultrapassa as barreiras da nossa vã filosofia e, se você
tiver um pouquinho de FEELING, vai aprender a curtir ou pelo menos
respeitar.
E isso aí FREE YOUR MIND!
No sábado, quem foi ao H2O pôde ouvir uma amostra de
alguns Djs e produtores que já há algum tempo batalham pela cena.
MARCIO MIX, com seu
elevado bom gosto, abriu a tarde com um LATIN HOUSE, que encantou pela
influência do JAZZ e da SOUL MUSIC. Depois caiu num HOUSE PROGRESSIVO
hipnótico com pitadas de ELETRO, que tocou no fundo da alma (SPIRITUALMAN).
CLAUDIO J apareceu e
deu uma canja de ELETRO (let's go 80's) louco para surfar nas ondas do
PSYTRANCE (aquele pôr-do-sol até que pedia), mas se conteve e ficou no
PROG.
DJ PLUR (eu) deu uma
palhinha passeando pelas vertentes da HOUSE (dos clássicos de Detroit e
Chicago ao prog-house de Hernan Cataneo).
Enfim, espero que o
projeto tenha continuidade e possa reunir cada vez mais pessoas a fim de
CONHECER, OUVIR, DANÇAR E SENTIR música eletrônica de verdade.
Vai um abraço para
o incansável DJ e produtor MARCIO MIX, ALEXANDRE MUNHOZ (cabeleireiro,
poeta, artista de teatro, agitador cultural, etc) e ao mestre BERETA.
Não esquecendo também
dos Djs e produtores EVANDRO e JOEL HARD que paralelamente lutam pela MÚSICA
ELETRÔNICA em nossa cidade.
P.L.U.R.
PARA TODOS!!
17/12/2005
* Professor de História e Geografia da rede pública
estadual e DJ
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