Educação em pauta

Adailson Luis Lopes Rodrigues*

Um dia desses estava lendo uma entrevista do ministro Fernando Hadadd (Nova Escola 10/2008) onde ele afirmava que “é preciso que as faculdades adaptem os currículos dos cursos de pedagogia à realidade da sala de aula”. Penso da mesma forma, mas estendo a afirmação aos demais cursos de licenciatura, principalmente na área das ciências humanas. De fato há um abismo imenso entre a formação acadêmica e a realidade das escolas. São poucas e vazias as discussões sobre questões que estão em evidência na relação ensino / aprendizagem dentro das escolas. Ao mesmo tempo que isso ocorre com os centros acadêmicos, no ambiente das escolas, os dilemas se propagam. Um deles é a estagnação pedagógica de muitos docentes que já trabalham no ensino há alguns anos. Soma-se a isso a incapacidade dos centros acadêmicos de aproximar a realidade de dentro das escolas às discussões sobre os referenciais pedagógico-didáticos na formação dos novos docentes. A conseqüência é uma educação que, por vezes, beira o caos pedagógico.

Nesse contexto de (des)estrutura educacional, alguns temas são simplesmente ignorados pelos educadores, nas escolas e nas faculdades. Parece que discutir a educação não é papel do educador. Devemos organizar nossa práxis de acordo com as reflexões de quem? Nossas ou do Lasier Martins?

Perguntas simples, mas que são fundamentais e devem estar em constante reflexão: Ensinar serve para que? Eu sei quem é o meu aluno? Meu aluno sabe a importância do que se ensina? Eu conheço a realidade socioeconômica da comunidade que trabalho? Meus referenciais teórico-metodológicos levam em consideração a realidade em que trabalho? Para muitos professores essa discussão é mera teorização e não serve para nada. Mas como agir sem minimamente pensarmos sobre o que fazemos? Isto serve à educação também. O ser humano não educa pelo instinto, é sim pela sua condição de pensar, refletir e agir. Portanto, pode-se afirmar que não há educação sem reflexão. Não há prática sem teoria, mesmo que a teoria esteja calcada num emaranhado de mediocridade e senso comum.

Um bom exemplo para enriquecer o debate é o conjunto de mudanças na educação que o governo estadual pretende colocar em prática no Rio Grande do Sul, baseado numa lógica neoliberal que irá transformar a educação num mero produto de mercado. Para se ter uma idéia, os diretores não precisarão saber mais sobre educação, pedagogia, didática, currículo, etc. Basta ter curso de administração e saber racionalizar e operacionalizar (ufa!) a burocracia, o pessoal e o pouco dinheiro das verbas. O projeto político pedagógico – que deve ser organizado junto a COMUNIDADE ESCOLAR – será substituído pela nova cartilha da SEC (segundo a secretária de educação isso não é um retrocesso!) elaborada a portas fechadas.

O que realmente preocupa é que nem dentro das escolas e muito menos nas faculdades, essas questões são abordadas. Como não discutir os impactos dessas mudanças sobre a realidade das escolas? Essas mudanças estão relacionadas à qual pedagogia? A qual visão de mundo? Como não incorporar a realidade dramática das escolas às reflexões acadêmicas? Abordar referenciais teóricos tradicionais, modernos ou pós-modernos, elaborar planos e projetos de educação sem levar em consideração a realidade da escola e da sociedade, devem estar sempre em pauta no contexto da escola, das faculdades e universidades.

Tiro curto

Quando que Alvorada vai ter um (ou vários) espaço(s) de cultura decente(s)?

Aliás, existe projeto de cultura para a cidade?

Alvorada: menos álcool, mais crack (de futebol?)!

07/04/2009

* Professor de História e Geografia da rede pública estadual

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