Elementos para entender a crise financeira

Adailson Luis Lopes Rodrigues*

Atualmente vivemos um processo de mundialização do capital que produz uma intensa interdependência das sociedades à economia capitalista, principalmente pelo poder das grandes empresas (transnacionais), que passaram a influenciar o espaço geográfico mundial, bem com as sociedades. Esse processo dinâmico se intensificou no pós-Guerra Fria e fez da economia de mercado o carro chefe das questões mundiais.

A nova estrutura mundial corresponde ao confronto entre as forças econômicas que fazem o capital circular. Basicamente o dinheiro que entra nos países emergentes provém de bancos, grandes empresas e megainvestidores. Nesse sentido os volumosos capitais investidos, que podem ser retirados a qualquer momento desses mercados emergentes pode provocar crises econômicas que desvalorizam moedas, afundam empresas, paralisam obras, alavancam o desemprego, diminuem as reservas monetárias (a tendência, como está acontecendo, é de os governos deslocarem grandes quantidades de capital para o setor financeiro, dinheiro este que é público!). Isso significa que a selvageria do capital financeiro provoca uma avalanche de pequenas crises que fazem ruir as estruturas dos mercados emergentes. Significa dizer que o capital especulativo, os interesses dos grandes bancos e a voracidade das trasnacionais é determinante para o aumento do abismo entre pobres e ricos no planeta.

Sobre política

Fico com a afirmação de Bertold Brecht sobre política:

“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a miséria, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo".

(Bertolt Brecht)

Além disso eu acrescentaria que o analfabeto político também é aquele que desconhece ou ignora a democracia como base para qualquer sociedade. Isso nos faz pensar que ainda temos muito para aprendermos no que se refere ao poder da política e da politicagem em nossa sociedade. Por isso temos obrigação de fazermos da política algo que promova justiça e igualdade. É isso que esperamos dos nossos representantes, sim, pois agora, eles foram colocados no poder para representarem os interesses da sociedade e não dos interesses corporativos ou individuais. Aos novos eleitos, que a sombra da velha politicagem clientelista e sorrateira não recaia sobre sua ações políticas. Aos velhos eleitos, que possam efetivamente governar para o povo e pelo povo e não para seus próprios interesses. E aos eleitores, que tenham capacidade de exigir dos seus eleitos um mínimo de decência política e cidadã, até porque, eles passam, mas o povo fica.

20/10/2008

* Professor de História e Geografia da rede pública estadual e DJ

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