PROBLEMAS URBANOS I

Adailson - p.l.u.r. *
 

            Alvorada está vivendo um momento crítico em relação à questão da violência. Essa é uma constatação que independe da enxurrada de notícias que vem saindo ultimamente nos jornais da capital. Na verdade a população é que sente no dia-dia o problema.Infelizmente é um fato, nossa cidade apresenta um dos maiores índices de criminalidade do estado.

            A violência urbana atinge milhões de pessoas, principalmente nos países subdesenvolvidos e nos chamados países emergentes, sem dúvida é um fenômeno sócio-econômico. Uma estrutura social onde prevalece a desigualdade, exploração e o preconceito acabam tendo forte contribuição para o aumento da criminalidade no meio urbano. No Brasil as regiões metropolitanas apresentam essas características, a desigualdade social caótica provoca a explosão da criminalidade, bolsões de miséria se proliferam evidenciando que o capital social (famílias com condições econômicas, escolas, centros de lazer, associações comunitárias, centros culturais, centros esportivos, etc) é ineficaz ou inexistente. Nesse sentido posso afirmar que em nossa cidade esse capital social não é forte o suficiente para combater a crescente violência urbana.Eu poderia reproduzir aqui o censo comum que sugere colocar o exército na rua, não seria tão idiota, repressão militar em um meio civil não me cheira muito bem (não esqueçamos dos anos de chumbo). A polícia já não está na rua? Na verdade sabemos que essa instituição está em frangalhos sem estrutura material e principalmente moral de para agir corretamente. A polícia não pode ser o único braço do Estado a entrar na periferia. No Brasil o salário mínimo é em convite a violência. Segundo nossa constituição com o salário mínimo você tem que manter a família, proporcionar cultura, lazer, enfim cidadania, pois bem o problema começa aí. As regiões metropolitanas brasileiras estão repletas bolsões de pobreza onde a violência e a criminalidade são evidentes.

CRIMINALIDADE X MARGINALIDADE

            Uma reflexão importante. A palavra criminalidade pode ser traduzida como o ato de cometer um crime (assalto, seqüestro, assassinato, etc), portanto, alguma coisa contra a lei. Já a palavra marginalidade está associada a alguém que está à margem de alguma coisa (excluído, sem acesso a algo). Pois bem uma pessoa que comete um latrocínio é um criminoso! Como já mencionei,segundo nossa lei magma, o salário mínimo deve garantir que qualquer cidadão ou cidadã possam manter a si próprio ou sua família, quando isso não ocorre não é contra a lei? Onde está o criminoso?

            Quanto à marginalidade percebo que estamos cercados de marginais por todos os lados, aquele trabalhador que pega seu ônibus todos os dias ás 6 da matina é um grande marginal. Com certeza ele não tem condições de proporcionar uma boa educação, alimentação, habitação, cultura, lazer à sua família. Quantas pessoas têm possibilidade de ir ao cinema, teatro ou ler um bom livro que possa ser comprado por um preço acessível? Quantas pessoas nunca estiveram à frente de um computador? Quantas crianças deixam de brincar para ficar em casa cuidando de seus irmãos enquanto pai e mãe trabalham? Quantas crianças deixam de estar na escola para servir de aviãozinho para os traficantes de drogas? Quantos jovens ao terminarem o Ensino Médio se deparam com a impossibilidade pagar uma universidade? Tenho a impressão que somos milhões de marginais!

07/04/2005

* Professor de História e Geografia

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